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Candidaturas do Bloco em Castelo Branco e Portalegre juntas para salvar o Tejo

As candidaturas do Bloco dos distritos de Castelo Branco e Portalegre promoveram, a 14 de Setembro, uma iniciativa conjunta de alerta em relação à degradação ambiental no rio Tejo que contou com a presença do deputado Pedro Filipe Soares.
"Bloco de Esquerda compromete-se a apoiar e a ajudar a por em prática todos os compromissos com vista a melhoria ambiental, do desafio do movimento ProTejo aos partidos", referiu Pedro Filipe Soares.

As candidaturas do Bloco de Esquerda dos distritos de Castelo Branco e Portalegre promoveram, a 14 de Setembro, uma iniciativa conjunta de alerta em relação à degradação ambiental que se verifica no Tejo, com especial ênfase na zona de Vila Velha do Ródão. Na sequência dos apelos de diversas associações que têm denunciado, de forma sistemática, a falta de empenhamento das autoridades no controlo das descargas de algumas empresas da região, o Bloco de Esquerda organizou uma visita guiada às ribeiras sujeitas à pressão da indústria.

A presença do deputado e líder parlamentar Pedro Filipe Soares confirmou a importância que o Bloco atribui às questões da água, do ambiente e da sustentabilidade.

Em zonas como a bacia hidrográfica do Tejo, o equilíbrio entre a actividade industrial e todas as restantes actividades humanas que contribuem para a economia local, deve resultar de uma gestão participada e cuidadosa de todos os agentes do desenvolvimento. “Existem, hoje, soluções tecnológicas e conhecimento que permitem salvaguardar o potencial histórico-natural em paralelo com a manutenção da produção industrial”, disse o deputado.

Esta viagem contou com a participação de Nuno Coelho, operador turístico na região, e de José Maria Moura, representante da AZU – Associação Ambientalista das Zonas Ureniferas. Este passeio aquático levou-nos às ribeiras de Enxarrique e do Açafal, explicando de uma forma muito clara os problemas associados ao agravamento das questões ambientais no rio Tejo. Segundo este técnico, profundo conhecedor da situação, as empresas mais poluidoras serão a Centroliva e as empresas de indústrias de produtos alimentares e de papel existentes em Vila Velha.

Os exemplos foram vários e a poluição é visível a olho nu. Os químicos despejados no Tejo “corroem as embarcações e descascam a tinta destas” dizia-nos Nuno Coelho. As 10 famílias de pescadores que ainda vivem da actividade têm de se deslocar cada vez mais para montante das ribeiras para garantir que a pesca não está contaminada. Os pequenos agricultores que regam as suas hortas com água do tejo ficam, por vezes, com as culturas completamente mortas. Isto para citarmos alguns exemplos que afectam as actividades económicas locais. Outros exemplos foram sobre a fauna local. A população de lontras, de peixes e de lagostins diminuiu drasticamente, assistindo os locais à morte constante destes.

“É a impossibilidade de viver o Rio Tejo em todo o seu potencial, é a degradação da imagem de uma região protegida internacionalmente” dizia Rui Polido Valente, cabeça de lista por Portalegre.

Está hoje provado que a estratégia das empresas para fugir ao controlo das autoridades se baseia na fragilidade destas no que respeita a realização das análises à água, após uma descarga ilegal. Efectivamente, a maioria dos casos ocorre à sexta-feira ou ao sábado de modo a prolongar e dificultar a concretização das análises (que são realizadas em Lisboa) uma vez que há um tempo limite para as efectuar. Por outro lado, desde que as empresas disponham de licença ambiental, têm sempre a possibilidade de fazer apelo, mesmo que a posteriori, a uma justificação aceite pelos inspectores associada a avaria de equipamentos. Neste caso as coimas não passam dos 500 a 600 euros, revelando que o crime compensa no domínio ambiental.

“Temos de arranjar mecanismo de captação e análise de água que seja eficiente, de forma a que os prevaricadores não fujam às responsabilidades”, disse Cristina Borges Guedes, e, rematando, “As autoridades têm de punir quem polui as águas, o solo e o ar. Não podem as indústrias poluidoras pagar coimas idênticas às aplicadas a um automobilista”.

No final da visita, os cabeças de lista foram unanimes em reafirmar o apoio do Bloco de Esquerda às associações ambientalistas e às populações. “Para quebrar a corrente da degradação ambiental, podemos começar por fazer cumprir a lei nos casos de poluição.”

Pedro Filipe Soares referiu ainda que “O Bloco de Esquerda compromete-se a apoiar e a ajudar a por em prática todos os compromissos com vista a melhoria ambiental, do desafio do movimento ProTejo aos partidos”, lançado na semana passada.

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