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“Instabilidade é não ter dinheiro para chegar ao fim do mês”

Num almoço de apoiantes em Portimão, Catarina Martins afirmou que nestas eleições é o Bloco que defende a estabilidade e a dignidade das pessoas, com propostas para acabar com o abuso do trabalho precário e garantir um salário digno a quem trabalha.
Foto Paulete Matos

No seu discurso neste domingo, Catarina Martins reagiu à promessa da véspera, feita por Passos Coelho a um lesado do BES, de que iria encabeçar um abaixo-assinado para que haja uma ação judicial contra o Estado. “Já vale tudo!”, exclamou Catarina, declarando-se tentada a convidar Passos Coelho a ser o primeiro subscritor de outro abaixo-assinado, “porque na terceira semana de setembro o ano letivo não vai começar e nunca a escola pública começou tão tarde…”. Catarina Martins abriu em seguida a hipótese do primeiro-ministro vir a convidar o candidato bloquista João Vasconcelos para um protesto contra as portagens da Via do Infante, provocando gargalhadas na sala.

A porta-voz do Bloco respondeu também ao “discurso da estabilidade”, que aumenta de intensidade com as notícias de sondagens empatadas. “Mas de que estabilidade falam? Em 2011, houve quem votasse no PSD e CDS para que fizessem um governo estável e eles prometeram que não iam cortar o subsídio de Natal”, para no dia seguinte quebrarem o compromisso, recordou Catarina.

“Será estabilidade perder o emprego e ficar sem nada quando até o subsídio de desemprego acaba e há 700 mil pessoas em Portugal sem nenhum apoio? Será estabilidade meio milhão de pessoas obrigadas a emigrar, mais de dez mil a cada mês que passa? É estabilidade as famílias divididas? Não ter dinheiro para chegar ao fim do mês?”, questionou, antes de garantir que “o Bloco está cá pela estabilidade e pela dignidade das pessoas que aqui vivem. Para acabar com o abuso do trabalho precário e para que a cada posto de trabalho corresponda um contrato de trabalho com salário digno”, e assim trazer estabilidade à vida das pessoas.

Marilu Santana, protagonista da luta vitoriosa no Clube Praia da Rocha pelo pagaento de salários em atraso. Foto Paulete Matos

“Não nos esquecemos do que é o desespero de só ter trabalho ao dia, à semana ou ao mês e no fim do verão fica sem nenhuma alternativa”, afirmou Catarina Martins, referindo-se aos falsos estágios e Contrato Emprego Inserção no Algarve. “Todos os abusos que vemos no país vemos aqui de forma aumentada”, sublinhou, denunciando “os estágios que afinal não são estágios e as pessoas vêm de todo o país para dormirem em quartos com quatro ou cinco pessoas juntas, sem janela, e para fazerem turnos de 12, 14, 16 horas nos hotéis do Algarve”.

O almoço deste domingo com apoiantes em Portimão contou com a intervenção do candidato João Vasconcelos e a presença de Marilu Santana, a trabalhadora que esteve 16 dias acorrentada no Clube Praia da Rocha para exigir o pagamento de salários em atraso para si e para os seus colegas.

As primeiras palavras de Catarina Martins foram para saudar a presença de Marilu Santana neste almoço do Bloco. “Ela ganhou essa luta dura. Que ninguém tenha nenhuma dúvida: a sua coragem, determinação e solidariedade fez a luta por si e por todos. São a prova de que há um país que ergue a cabeça e não aceita o assalto”, afirmou a porta-voz do Bloco no meio de fortes aplausos.

João Vasconcelos: Portagens na Via do Infante “são crime social e económico”

João Vasconcelos, candidato do Bloco pelo círculo do Algarve. Foto Paulete Matos

No seu discurso, João Vasconcelos apelou à necessidade de reforçar a votação do Bloco no Algarve para continuar a eleger deputados que deem voz às aspirações dos algarvios e lutem por uma alternativa de esquerda e não pela mera alternância entre PSD e PS.

O candidato do Bloco pelo Algarve acusou os governos do PSD e do PS de serem responsáveis pela cobrança das portagens na Via do Infante, tentando agora prometer reduções de preços. “Não nos interessa a redução do tarifário. O que interessa é a abolição pura e simples das portagens, porque para além de um crime social são também um crime económico”, afirmou o candidato bloquista, referindo os negócios ruinosos das PPPs rodoviárias. 

O candidato do Bloco pelo Algarve defendeu ainda “uma revolução fiscal” no país para que “não seja apenas quem trabalha a ser penalizado”, a par da restruturação da dívida e de uma política de redistribuição da riqueza.

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