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“Quem trouxe a troika não vai acabar com a austeridade”

A cabeça de lista do Bloco pelo círculo de Setúbal, Joana Mortágua, denunciou que o Tratado Orçamental impõe que no próximo ano o país pague dois orçamentos da saúde e afirmou: “Quem trouxe a troika não vai acabar com a austeridade”.
Foto Paulete Matos

Realizou-se neste sábado um jantar/comício do Bloco de Esquerda na Moita, no qual intervieram Joana Mortágua, Luís Fazenda, Fernando Rosas, António Chora e Joaquim Raminhos, vereador bloquista na Câmara da Moita.

Cabeça de lista do PSD prometeu que os contribuintes não pagariam nada...

Joana Mortágua começou por falar das “famílias que ficaram com as casas em leilão” em Pinhal de Negreiros, Azeitão (ver notícia no esquerda.net), sublinhando que o Governo “governo quer pôr a culpa nas famílias, enquanto “endivida o país”.

Joana Mortágua lembrou depois que a cabeça de lista do PSD por Setúbal (Maria Luís Albuquerque, atual ministra das Finanças) prometeu que os contribuintes não pagariam nada da crise do BES, o que é uma mentira. Na verdade, salientou a candidata bloquista, o governo “piegas” emprestou à banca 3.900 milhões de euros, o fundo de resolução dos bancos usou mil milhões, mas... “a parte de leão foi do banco público – a Caixa Geral de Depósitos”.

A cabeça de lista denunciou então as “facilidades” para com o Novo Banco e a banca, considerando a política do governo um “aventureirismo” e um “subsídio total aos mercados financeiros”.

“Nem PS nem PSD têm caminho alternativo à destruição do país”, acusou Joana Mortágua, salientando que o PS é “incapaz” de enfrentar os poderes e “tem sempre medo de ir à Europa e levar com a porta na cara”.

Joana Mortágua falou sobre a saúde no distrito, salientando que há 200 mil pessoas sem médico de família, o Hospital Garcia da Orta que foi construído para cobertura a 150 mil pessoas e abrange 400 mil e o concelho do Seixal não tem serviço de saúde depois das 20h.

Salientando que o pagamento da “dívida 'impagável' e o tratado orçamental representam 16 mil milhões só em 2016”, Joana Mortágua afirmou: “Nenhum dos partidos que chamou a troika vai acabar com a austeridade. Quem trouxe a troika não vai acabar com a austeridade!”

Sem sepultar o Tratado Orçamental não há alteração política em Portugal”

Luís Fazenda, na sua intervenção, considerou que esta campanha eleitoral é muito difícil e salientou que “o mais importante é multiplicar energia”.

O deputado do Bloco denunciou que tanto PSD, como PS prometem alívio na austeridade, mas “vai ser o contrário”, alertando que “preparam-se despedimentos coletivos grandes depois de 5 de outubro” e que vão haver mais cortes, por imposição do Tratado Orçamental.

“A austeridade não está a bater em retirada. A troika está cá chama-se Tratado Orçamental”, afirmou Luís Fazenda, sublinhando que “sem sepultar o Tratado Orçamental não há alteração política em Portugal”.

Luís Fazenda lembrou que o Bloco propôs “referendo ao Tratado Orçamental”, chumbado na Assembleia da República por PSD, CDS e PS e afirmou que o referendo será muito importante, por ser “um caminho para fazer irromper o povo na política”.

Campanha de mentiras

Fernando Rosas referiu as dificuldades da campanha e salientou que PSD e CDS seguem uma política assente na mentira.

A primeira mentira é a ideia de que eles seriam a “salvação nacional”, querendo fazer crer que “a austeridade é uma maldição que eles não queriam”. “Mentira. A austeridade é a política deste governo”, afirmou Fernando Rosas.

Uma segunda mentira é o da “recuperação da economia”, salientou Fernando Rosas, lembrando que “o governo agravou a dívida em 50 mil milhões”.

“Aceitando o diktat da União Europeia nem em 20 anos saímos da austeridade” afirmou Fernando Rosas, apontando que “é preciso reestruturar a dívida” e “desobedecer à Europa”.

“Nesta União Europeia não há espaço para a alternativa”, concluiu Fernando Rosas.

António Chora começou por apontar que “estamos num concelho em que a percentagem é das maiores”, defendeu que é preciso “restituir aos trabalhadores tudo o que nos foi roubado nestes quatro anos” e apontou que “o Bloco não passa cheques em branco a quem quer que seja para depois governar à direita”.

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