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Brasil: Standard & Poor's rebaixa notação e amplia crise

Dilma faz reunião de emergência e pede ao seu governo urgência para decretar mais reduções de gastos públicos, cortando “na carne” e fazendo um “pente fino” nos programas sociais.
Dilma quer submeter programas sociais a "pente fino". Foto de Sala de Imprensa - Dilma presidenta
Dilma quer submeter programas sociais a "pente fino". Foto de Sala de Imprensa - Dilma presidenta

A agência de notação financeira Standard & Poor's rebaixou a classificação da dívida soberana do Brasil para nível de maior risco, vulgarmente designado de “lixo”. A imprensa brasileira, ao contrário da portuguesa quando a mesma agência tomou decisão semelhante em relação à dívida portuguesa, em 2012, evita o termo “lixo” e informa que o Brasil “perdeu o selo de bom pagador”.

A nota do país da Standard & Poor's caiu de BBB- para BB+.

Perspetiva negativa

A agência justificou a decisão pelo que considerou a “falta de habilidade” e “vontade” do governo da presidente Dilma Rousseff, que submeteu um orçamento deficitário ao Congresso.

Além de cortar a nota do Brasil, a agência colocou o país em perspetiva negativa para uma nova redução do rating, dizendo que há mais de “uma possibilidade em três” de a situação piorar, devido às “dificuldades políticas do Congresso” e um “aumento da falta de coesão” do governo, “enfraquecendo o ministro das Finanças, Joaquim Levy”.

Por enquanto, nem a Moody's nem a Fitch acompanharam a Standard & Poor's.

A bolsa de Valores de São Paulo Ibovespa abriu em forte queda, ao mesmo tempo que a cotação do dólar disparava, forçando o Banco Central do Brasil a intervir, vendendo dólares, para reduzir o impacto e a cotação.

Dilma anunciará mais cortes

A presidente Dilma Rousseff negou que a decisão da agência represente um "cenário catastrófico" para o país, mas pediu ao seu governo urgência para anunciar novos cortes de gastos públicos, incluindo os relacionados à reforma administrativa, previstos apenas para o fim do mês. O governo promete “cortar na carne" e fazer um "pente fino" nos programas sociais.

Tudo indica, assim, que será aprofundada a política de “ajuste fiscal”, o termo usado no Brasil e que significa o mesmo que a “austeridade” na Europa.

Segundo o ministro das Finanças, “o governo vai, deve cortar gastos, sim. Mais do que já cortou em outros casos. E com gestão, ferramentas inteligentes. E, se precisar, a gente tem que ter disposição de também fazer um sacrifício para todo mundo poder voltar a ter a economia crescendo", disse.

A orientação da presidente é deixar claro que o governo vai procurar cumprir a meta de superavit primário de 0,7% do PIB (Produto Interno Bruto) no próximo ano.

Lula demarca-se

Em Buenos Aires, o ex-presidente Lula da Silva desvalorizou a importância do corte da notação brasileira pela Standard & Poor's . “Isso não significa nada. Significa que apenas a gente não pode fazer o que eles querem. A gente tem que fazer o que a gente quer", destacou.

Lula disse que estava a achar “muito engraçado” que a agência tenha tomado essa decisão e criticou que essas agências não usam os mesmos critérios para "países quebrados [falidos] da Europa".

Aécio: governo Dilma acabou

Já o senador Aécio Neves, candidato derrotado nas presidenciais em que enfrentou Dilma Rousseff na segunda volta, disse que o rebaixamento da nota do Brasil é "um desastre anunciado" e "resultado da incompetência e dos erros do governo", concluindo que “o governo da presidente Dilma acabou".

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