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Governo não faz o que deve e é persistente no que não deve

Este é Governo pequenino que ficará para a história, mas não fará história, como nos mostra a crise dos refugiados. Mas é muito persistente no que não deve, como acontece com o ajuste direto para entrega a privados dos STCP.

Uma crise humanitária

Vivemos hoje uma enorme crise humanitária, que é a crise dos refugiados.

Todos os dias nos chegam notícias do terror, de histórias de vida e de histórias de morte. E todos os dias o sofrimento de mulheres, homens e crianças nos convoca para a nossa humanidade e rejeita a nossa indiferença. Não os podemos ignorar.

Eles e elas fogem da guerra, da destruição, da morte que espreita a cada esquina. Enfrentaram muitos perigos até chegarem perto de nós.

Primeiro os bombardeamentos – onde a Europa tem também responsabilidades inequívocas –, depois as viagens até ao Mediterrâneo. E depois a imensidão do Mediterrâneo que se transformou num enorme cadafalso onde o número de vidas perdidas já não se consegue contar. Ali onde o mar se transformou numa enorme vala comum.

E depois, aqueles que conseguem chegar à Europa encontram barreiras, muros, preconceitos. Quando deveria ser convocada a nossa humanidade, vemos uma enorme crueldade. E para quem? Contra quem? Contra pessoas como qualquer uma e qualquer um de nós.

São pessoas como nós! Pais, filhos, avós, famílias, amigos.

São pessoas como nós! Que tinham profissões, funções, percursos.

São pessoas como nós! Só procuram uma vida estável e próspera.

São pessoas como nós! Que estão desesperados e nos estendem a mão.

Esta é uma questão de direitos humanos e era aqui que deveríamos ser grandes e mostrar que estávamos à altura da situação.

Governo pequenino

E vimos exatamente o contrário na ação do nosso Governo. Um Governo pequenino!

Primeiro apenas queria recolher um número mínimo de refugiados. Depois, face à pressão da sociedade civil, aumentou a disponibilidade, mas ficando sempre abaixo do que podia e devia.

Um Governo pequenino, que não percebe o momento histórico que vivemos e a resposta digna que deveríamos dar.

Um Governo pequenino que agiu sempre empurrado e sem empenhado. Não está à altura do nosso país e da nossa história.

Um Governo pequenino que não sabe o que significa solidariedade: nem com os seus, nem com os outros.

Um Governo pequenino que ficará para a história, mas não fará história.

Governo muito persistente no que não deve

Nesta última intervenção nesta legislatura, não podia deixar de chamar a atenção para uma outra situação em que o Governo não faz o que deve, mas é muito persistente no que não deve.

A menos de um mês das eleições ainda vemos o corrupio das privatizações. Se não vai de uma forma, faz-se de outra, numa urgência incompreensível, contra tudo e contra todos.

O ajuste direto para entrega a privados dos STCP é disso o melhor exemplo!

Contra os trabalhadores, utentes e municípios, o Governo insiste na privatização.

Contra o interesse público, faz a privatização por ajuste direto.

Sem qualquer pingo de vergonha, insiste a menos de um mês das eleições!

É este o exemplo desta governação ao longo dos últimos quatros anos: sempre contra o interesse coletivo, sempre com uma agenda ideológica para dar a privados o que é de todos, sempre contra o interesse dos utentes e dos trabalhadores.

Depois de terem degradado o serviço, diminuído as transferências do Estado, extinguido linhas e percursos e reduzido o número de motoristas, PSD e CDS querem dar a machadada final, terminando o processo com a privatização da empresa a menos de um mês das eleições.

É este o fanatismo privatizador do Governo PSD/CDS.

E é por isso que as próximas eleições serão determinantes. Não para mudar as caras, mas para mudar mesmo as políticas.

Para acabar com o fanatismo ideológico de quem deixa as pessoas para trás, para colocar os negócios à frente.

Para afirmar uma alternativa que rompa com a austeridade hard core ou austeridade light e devolva os rendimentos às famílias.

Para construir um futuro de crescimento, inclusivo, que garante serviços públicos de qualidade e uma segurança social para nos apoiar nos momentos mais difíceis, com dignidade para todas e todos.

É essa a alternativa quer o Bloco de Esquerda afirma. Não só é possível esta alternativa, como ela está a nosso alcance, ao alcance do nosso voto.

Façamos do voto esse momento de viragem.

Intervenção na comissão permanente da Assembleia da República em 9 de setembro de 2015

Sobre o/a autor(a)

Deputado, líder parlamentar do Bloco de Esquerda, matemático.
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