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Refugiados: “Sociedade civil já avançou, falta o governo dar passos concretos”

Catarina Martins e candidatos do Bloco por Lisboa visitaram o Centro Português de Refugiados, onde defenderam que o país tenha “uma voz ativa” no acolhimento e que recuse “a lógica dos bombardeamentos que só vai criar mais refugiados”.
Reunião dos candidatos do Bloco com a direção do Centro Português de Refugiados

“É preciso preparar uma resposta descentralizada para acolher um número muito maior de refugiados. Esta é a preocupação que o Centro nos deixa. Eles têm toda a disponibilidade para formar as equipas multidisciplinares nas autarquias. O que é preciso agora é montar essas equipas. A sociedade civil já se disponibilizou, é preciso que o governo tenha os mecanismos concretos de receção dos refugiados”, afirmou Catarina Martins aos jornalistas à saída de uma reunião com a diretora do Centro Português de Refugiados, em que também participaram outros candidatos bloquistas pelo círculo de Lisboa, como Pedro Filipe Soares, Shahd Wadi, Isabel Pires e Jorge Silva.

“Os governos europeus começaram por se portar muito mal, tentando fechar a porta aos refugiados. Felizmente há hoje uma nova postura e o próprio governo português, que começou por regatear o número de refugiados, hoje compreende que Portugal tem também de assumir esta responsabilidade solidária”, afirmou Catarina Martins .

A porta-voz do Bloco sublinhou que “os refugiados que estão a chegar à Europa representam 0.05% da população europeia” e há todas as condições para os acolher, destacando o caso alemão como um exemplo a seguir pelos restantes países europeus.

“É preciso agora garantir que o acolhimento se faça da melhor maneira possível e que haja passos concretos em vez de meras declarações. Há apoio comunitário para acolher os refugiados, por isso é apenas uma questão de vontade política”, prosseguiu Catarina Martins, defendendo que “Portugal não deve ficar à espera da quota que lhe dão ou a tentar regatear uma quota mais pequena. Pelo contrário, deve ter uma voz ativa para que seja possível distribuir todos os refugiados pelos vários países”.

A porta-voz do Bloco afirma não compreender que a Europa não tenha um mecanismo de entrada na Europa que seja “humano e condizente com os direitos humanos”. “Não podemos ter pessoas a afogarem-se no Mediterrâneo e a serem vítimas de traficantes porque a Europa não tem um mecanismo de pedido de asilo onde as pessoas precisam de o pedir para entrar na Europa com segurança”, acrescentou.

“A lógica dos bombardeamentos só vai criar mais refugiados”

Depois da França e da Grã Bretanha terem anunciado os bombardeamentos na Síria, Catarina Martins recusa que a solução seja “fazer bombardeamentos nos mesmos países em que as pessoas fogem de bombardeamentos”.

“A lógica dos bombardeamentos só vai criar mais refugiados. O que a Europa precisa de fazer é secar o financiamento ao autoproclamado Estado Islâmico e aos grupos terroristas. E não continuar a deixar que esse dinheiro continue a circular nos offshores e paraísos fiscais sediados na Europa ou a continuar a comprar o petróleo que vem desses territórios através de outros países, ou a continuar a vender armas e promover o conflito nesses territórios”, defendeu a porta-voz bloquista.

Visita ao Centro Português de Refugiados | Esquerda.net

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