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Estado Islâmico: Destruição de templos oculta venda de relíquias

Arqueóloga franco-libanesa diz ao jornalista Robert Fisk que já existem antiguidades de Palmira à venda em Londres. Além de programar a destruição paulatina de templos para obter maior cobertura dos media, o Estado Islâmico provoca a alta dos preços das relíquias. E a devastação oculta o roubo.
O templo de Bel foi o último destruído. "Temple of Bel, Palmyra 02" by Bernard Gagnon - Own work. Licensed under CC BY-SA 3.0 via Commons - https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Temple_of_Bel,_Palmyra_02.jpg#/media/File:Temple_of_Bel,_Palmyra_02.jpg
O templo de Bel foi o último destruído. "Temple of Bel, Palmyra 02" by Bernard Gagnon - Own work. Licensed under CC BY-SA 3.0 via Commons - https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Temple_of_Bel,_Palmyra_02.jpg#/media/File:Temple_of_Bel,_Palmyra_02.jpg

A arqueóloga franco-libanesa Joanne Farchakh revelou ao jornalista Rober Fisk que por trás da destruição sistemática a que o Estado Islâmico está a submeter a cidade de Palmira não reside apenas fanatismo. Está principalmente a busca do lucro. “Primeiro, o EI vende as estátuas, os altos relevos e os frescos pedidos pelos negociantes internacionais. Recebe o dinheiro, entrega as relíquias e depois explode os templos e edifícios de onde estas vieram para ocultar as provas do saque”, explicou a arqueóloga ao jornalista do The Independent, que dedicou a sua coluna deste domingo ao tema.

Joanne Farchakh assegura que já há antiguidades de Palmira em Londres. “Objetos sírios e iraquianos levados pelo EI já estão na Europa. Nem sequer na Turquia, para onde foram no início – saíram de lá há tempos”.

Há relíquias que rendem preços astronómicos – milhares de milhões de dólares, garante a arqueóloga. Quando se veem na posse de uma destas antiguidades, vendem-na e dinamitam o sítio de onde vieram. Deixa de haver provas [do roubo]. Ninguém sabe o que foi retirado antes e o que desapareceu na explosão.”

Joanne Farchakh define-se a si mesma como uma “estudante da destruição da arqueologia na guerra.” Trabalhou muitos anos a catalogar a devastação na região.

Agenda mediática

Por outro lado, explica a arqueóloga, o EI tem vindo a sofisticar a sua lucrativa rentabilização das relíquias sírias e iraquianas. Quando começou a destruir o património arqueológico, executava as depredações rapidamente, o que rendia poucos minutos de fama nos média. Agora, antes das explosões, chama as organizações de direitos humanos para informá-las do que vai fazer. E depois apresenta os filmes da destruição de acordo com a sua própria agenda.

Satélite comprova destruição: antes (em baixo) e depois.

“Começaram com a execução de soldados sírios no Teatro Romano. Em seguida, mostraram os explosivos afixados aos pilares romanos. Depois decapitaram o diretor de antiguidades da Síria. Finalmente, explodiram o templo de Baal Shamim.” Nessa altura, a pergunta óbvia era: “Qual vai ser o próximo? Vai ser o templo de Bel.” E assim foi. O que se segue, na opinião de Joanne Farchakh, é o grande templo romano, e depois o mercado da Ágora.

Não haverá uma história “antes”

A arqueóloga recorda que o Xá da Pérsia usou as ruínas de Persépolis para falsificar a história da sua família. Saddam Hussein pôs as suas iniciais nos tijolos da Babilónia. “Em vez de construírem o seu poder nos objetos arqueológicos, [como faziam os outros] assentam o seu poder na destruição da arqueologia. Estão a inverter os métodos habituais. Não haverá uma história “antes”. Por isso, também não haverá “depois”. “O que eles estão a dizer é que só existimos nós”, conclui.

Palmira era um dos lugares mais belos e visitados do planeta. Para a Síria e para a Humanidade, é uma perda irreparável.

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