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Coimbra: Bloco discute com independentes para que serve um deputado de esquerda

A iniciativa marcou o arranque da pré-campanha eleitoral do Bloco em Coimbra e encheu o Auditório do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. José Manuel Pureza, cabeça de lista pelo distrito, denunciou dois "mitos urbanos": a pressão do “voto útil” e a “dicotomia armadilhada entre partidos de governação e partidos de protesto”. #Bloco2015 #Legislativas2015
Gisela Martins, nº2 por Coimbra, Pedro Rodrigues, mandatário distrital e José Manuel Pureza, cabeça de lista.

O Bloco de Esquerda reuniu na passada sexta-feira à noite, em Coimbra, mais de meia centena de cidadãos independentes, numa sessão pública intitulada “Para que precisa Coimbra de deputados/as de esquerda?”

 Gisela Martins, número dois da lista do Bloco no distrito, explicou o carácter pouco convencional da sessão: “em vez de realizar um comício, quisemos começar por ouvir a opinião das pessoas sobre o que esperam de um deputado de esquerda no Parlamento”.

Em cerca de duas dezenas de intervenções, os participantes identificaram como temas prioritários o desemprego e a precariedade laboral, a deterioração da saúde e da escola públicas, o impasse do metro da Lousã e a centralidade da cultura no desenvolvimento. Os candidatos ouviram ainda chamadas de atenção em relação à heterogeneidade social e económica do distrito e apelos à defesa da regionalização e à necessidade de o partido estabelecer pontes, quer com a sociedade civil, quer com outras formações políticas de esquerda.

No encerramento da sessão, o cabeça de lista do Bloco por Coimbra agradeceu os contributos e referiu que as conclusões da sessão serão para o próprio “um mandato”. José Manuel Pureza estabeleceu duas linhas de demarcação essenciais: a capacidade de articulação com “uma dinâmica participativa muito forte entre os cidadãos” e o combate às desigualdades sociais – um deputado de esquerda tem de assumir sem hesitações a sua “fidelidade ao primado dos últimos”, afirmou.

Definindo o distrito como “um país em miniatura”, no qual é possível encontrar todos os problemas com que o país se confronta, apontou como exemplo “a transferência de fundos públicos para mãos privadas na saúde e na educação”. A necessidade de defender o “respeito pelo trabalho e pelos direitos laborais” e uma justa “distribuição da riqueza” mereceu uma referência especial do candidato bloquista: hoje em dia, “mesmo as ideias sociais-democratas são consideradas radicais”. “Eu aspiro a mais, mas há patamares mínimos de que um deputado de esquerda não pode prescindir”, sintetizou. Da mesma forma, admitiu, também em Coimbra a direita tem estado a ganhar “a batalha do senso comum”, com a generalização da ideia de que não há alternativas às políticas de austeridade ou de um conceito vazio de “europeísmo”, que hoje se apresenta como “aprisionador e limitador dos direitos das pessoas e da própria democracia”.

Denunciando o que considera dois “mitos urbanos” – a pressão do “voto útil” e a “dicotomia armadilhada entre partidos de governação e partidos de protesto” –, José Manuel Pureza assumiu a vontade e a disponibilidade do Bloco de Esquerda para governar. A questão não é a disponibilidade, esclareceu, “é o conteúdo da governação”.

Sobre as possibilidades de convergência com outras forças políticas à esquerda, o cabeça de lista do Bloco por Coimbra relembrou os “vários exemplos de política unitária” de que o partido tem feito parte na cidade e dos quais se orgulha, como o movimento Cidadãos por Coimbra nas últimas eleições autárquicas ou o movimento “Amigos da Cultura”, entre outros. O Bloco continuará a fazer “todas as pontes necessárias para mudar o estado actual das coisas”, mas um deputado “eleito como sendo de esquerda não pode fazer nenhuma ponte que signifique transigência com as políticas que nos têm sido impostas”, concluiu.

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