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Boa notícia do lado do PCP

Passou despercebida uma tomada de posição do PCP a 27 de agosto sobre a questão grega.

O texto, “A propósito da evolução da situação na Grécia”, é de Albano Nunes, destacado dirigente do partido, e reafirma os pontos de vista conhecidos sobre a União Europeia e a evolução grega, sobre o Syriza e os partidos portugueses. Mas acrescenta uma nota importante, reveladora e, ao que sei, desconhecida do grande público.

A nota é uma demarcação em relação ao Partido Comunista da Grécia (KKE):

“Mas é uma evidência que o PCP não pode subscrever posições que a pretexto da solidariedade possam ser interpretadas como de apoio à política e acção concreta de outro partido e muito menos de apoio a uma linha ideológica em que não se revê e a uma prática de relações entre partidos comunistas que considera prejudicial para a unidade do movimento comunista e revolucionário internacional. Foi partindo desta ordem de considerações que o PCP recentemente não subscreveu uma «Declaração conjunta de solidariedade com o KKE».”

Presumo que a referida “declaração conjunta” sobre a “acção concreta de outro partido” seria um apoio ao KKE a respeito do voto nulo no referendo de julho, dado que o PCP tomou a opção contrária e saudou a vitória do “não”. O texto, no entanto, vai mais longe do que esta anotação, acusando o KKE de uma “linha ideológica em que não se revê” e, mais ainda, de “uma prática de relações entre partidos comunistas que considera prejudicial para a unidade do movimento comunista”. Há algum mistério nestas acusações, porque são apresentadas em código e não é explicitada qual será essa “prática de relações entre partidos” ou essa “linha ideológica”, que aliás se faz representar em Portugal. Um dia se saberá. O que para já fica evidente é esta distanciação do PCP em relação a um dos partidos comunistas mais ressabiadamente estalinistas e mais sectários da Europa. É uma boa notícia.

O aspeto menos esclarecido é a diferença de visões sobre a política do “movimento comunista internacional”, dado que o KKE se afastou do Partido Comunista da China por causa das privatizações na Grécia mas Jerónimo de Sousa, afirmando recusar as intervenções do capital chinês em Portugal, é mais discreto quanto ao partido que as conduz (a EDP, depois de privatizada, foi presidida por um membro do Comité Central do Partido Comunista da China).

Artigo publicado em 4 de setembro de 2015 em blogues.publico.pt

Sobre o/a autor(a)

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.
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