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Refugiados: “O caminho é o de estreitar relações com o outro lado do Mediterrâneo”

Na apresentação do Manifesto Eleitoral do Bloco de Esquerda de Beja, o arqueólogo Cláudio Torres referiu-se à crise dos refugiados afirmando que “nós criámos uma Europa que é falsa, fora do Mediterrâneo”.
Cláudio Torres: Quando fugiu da ditadura em Portugal, foi acolhido em Marrocos como se fosse um irmão. Foto de Paulete Matos
Cláudio Torres: Quando fugiu da ditadura em Portugal, foi acolhido em Marrocos como se fosse um irmão. Foto de Paulete Matos

O mandatário da candidatura do Bloco de Esquerda de Beja, o arqueólogo Cláudio Torres, abordou na sessão de apresentação do Manifesto Eleitoral, nesta quinta-feira, o tema dos refugiados, que fogem do “massacre que está a acontecer mais para lá do Mediterrâneo, lá para o Oriente”, evocando a sua experiência pessoal, nos tempos da ditadura salazarista, quando foi forçado a fugir com a mulher Manuela para não serem presos. “Fizemos o percurso no sentido inverso”, recorda, “num barquito de 5 metros, e a minha mulher ia grávida”. Foram recebidos por um povo amistoso em Marrocos, “que nos abrigou, que nos escondeu, que nos alimentou” durante vários meses, numa situação bem difícil. “Trataram-nos como irmãos.”

Hoje, defendeu, esses milhares de pessoas que vêm em desespero, com fome, perseguidos, torturados, estão a chegar às portas da Europa e temos de acolhê-los.

O caminho é de estreitar relações

Para Cláudio Torres, “nós criámos uma Europa que é falsa, fora do Mediterrâneo”. Mas o caminho não é esse, “é o de estreitar relações com o Norte de África, com o outro lado do Mediterrâneo para abrir novos caminhos, novas perspetivas completamente diferentes”.

Cláudio Torres afirmou que “Beja precisa de mais Bloco, a Assembleia da República precisa de mais esquerda, mas temos de meter também aí o Mediterrâneo, o nosso passado fundamental que nos identifica e nos dá uma força nova para podermos resistir às pressões cada vez mais miseráveis da Alemanha.”

Regulamento para as privatizações?

O crescimento só nos diz alguma coisa se for alicerçado no emprego e no salário digno

Catarina Martins: "O crescimento só nos diz alguma coisa se for alicerçado no emprego e no salário digno." Foto de Paulete Matos

Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda, referiu-se aos quatro anos de destruição do governo PSD-CDS mas alertou que “não basta enterrar o governo para enterrar a austeridade”. E explicou: “Se um governo que se gaba de vender tudo e que tem destruído o país não é de certeza aquilo de que precisamos, é bom ver que no programa do Partido Socialista está escrito que é preciso um regulamento para as privatizações.” E questionou: “Privatizar o quê? Hospitais? Segurança Social? A forma de se romper com a austeridade não é dizer que há uma boa maneira de se vender o país, é que o país não se vende e estamos aqui para o defender. Enterrar o governo e enterrar a austeridade exige a coragem de defender a dignidade de quem aqui vive e de quem construiu com o seu trabalho tudo aquilo que fez a democracia”.

A forma de se romper com a austeridade não é dizer que há uma boa maneira de se vender o país, é que o país não se vende e estamos aqui para o defender.

Catarina Martins sublinhou ainda que “é preciso parar com uma segunda transferência que nos destrói. Que é a transferência do trabalho para o capital.” E completou: “Sem emprego e sem salário, até pode haver crescimento económico que não interessa nada. Há ditaduras que têm crescimento económico muito acelerado, mas as pessoas vivem na miséria. O crescimento só nos diz alguma coisa se for alicerçado no emprego e no salário digno, porque se não for assim, não é de crescimento que se trata, é do roubo de uns poucos que vão roubando todos os que vivem neste país. E é esse assalto que tem de ser travado”.

Três prioridades para a região

Mariana Aiveca: três prioridades. Foto de Paulete Matos

A cabeça-de-lista do Bloco no distrito, Mariana Aiveca, apresentou as três grandes prioridades do programa do Bloco de Esquerda: a primeira é a potenciação dos recursos regionais como fatores de criação de valor e fixação de emprego, o mais importante para a região. “O setor primário, a agricultura, as pescas, o setor mineiro, precisam de ser complementados com indústrias transformadoras”. Por outro lado, “a cultura e os patrimónios, arqueológico, natural e imaterial também têm de fazer parte deste plano.”

A segunda prioridade centra-se nas acessibilidades e na mobilidade. A eletrificação da ferrovia – aliás, recuámos ao século passado em termos de ferrovia –, a qualificação da rodovia, no IP8, no IP2.

A terceira prioridade, disse Mariana Aiveca, é a qualidade do serviço de saúde, para uma população envelhecida que precisa de melhores cuidados e de mais facilidades de acesso.

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