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O que falta fazer

Neste país, o que está por fazer só pode ser feito por quem está do lado das pessoas, por quem não responde a bancos em primeiro lugar.

Neste país, há tribunais há um ano a funcionar em contentores,não oferecendo qualquer dignidade a quem neles trabalha nem a quem a eles acede por qualquer motivo.

Neste país, as filas no centro de saúde para marcar uma consulta começam às cinco ou seis da manhã, caso contrário, se calhar, só dali a uma semana se consegue.

Neste país, os professores são escorraçados e desrespeitados e o acesso público e universal à educação é cada vez mais uma miragem, desde o básico até ao superior.

Neste país, quem é diferente e precisa de se deslocar em cadeira de rodas, por exemplo, tem vedado o acesso a tudo o que o "comum dos mortais" tem: seja atravessar uma passadeira ou entrar nas finanças ou ir a um café.

Neste país, os idosos têm reformas cada vez mais baixas e suportar o custo de vida torna-se insuportável, especialmente quando filhos e netos retornam (por causa do desemprego) e todos sabemos que o dinheiro não tem uma elasticidade infinita.

Neste país, quem está nos cursos de formação obrigatórios do IEFP acaba a fazer o trabalho para o qual está a ser formado, transformando-o em trabalho não remunerado, escravo.

Neste país, quem é jovem licenciado ou tem ainda mais graus de formação emigra porque a opção é a precariedade ou a precariedade, seja em "estágios" ou Call centers.

Neste país, como se pode ver, ainda há muito por fazer e com toda a certeza não será quem nos levou a este estado que o fará; com toda a certeza não será Passos Coelho e Paulo Portas, mas também não será António Costa.

Neste país, o que está por fazer só pode ser feito por quem está do lado das pessoas, por quem não responde a bancos em primeiro lugar.

O que está por fazer terá, quase, que ser tomado de assalto, terá que ser (re)conquistado por todos e todas em conjunto e optar pela alternância não é solução.

Neste país, o que está por fazer pode começar a ser construído já em outubro, utilizando uma arma chamada voto, não lhes dando a satisfação de ganharem porque a abstenção é tanta quanto o total de votos.

Neste país, temos que nos fazer ouvir por uma alternativa, por políticas concretas de esquerda,sim, mas acima de tudo políticos pelo povo e para o povo, não contra ele!

Sobre o/a autor(a)

Deputada e dirigente do Bloco de Esquerda. Licenciada em Ciências Políticas e Relações Internacionais e mestranda em Ciências Políticas
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