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“Destruição da Justiça tornou a democracia mais frágil”

A porta-voz do Bloco testemunhou no Tribunal de Loures os atrasos e as más condições de trabalho na justiça portuguesa. “As pessoas que aqui trabalham fazem milagres”, afirmou Catarina Martins.
Tribunal de Loures a funcionar em contentores. Foto Paulete Matos.

Um ano depois da entrada em vigor da reforma judiciária, o funcionamento dos tribunais atravessa uma grave crise, testemunhou a delegação bloquista na visita ao Tribunal de Loures, que está a funcionar em contentores e ainda à espera da colocação dos 50 funcionários que precisa.

“Aqui há testemunhas e advogados a passarem horas em sítios onde não há ar condicionado, há funcionários judiciais a trabalhar sem espaço para se mexerem, rodeados de processos”, afirmou Catarina Martins, considerando o Tribunal de Loures “um exemplo do desinvestimento e da destruição” da Justiça.

“Toda a gente que aqui trabalha faz milagres todos os dias, porque têm de trabalhar tendo obras ao mesmo tempo. Mas não são as obras de que precisam para o edifício que lhes foi prometido, são os remendos que é preciso fazer constantemente para que o edifício que está a rebentar pelas costuras consiga ir dando resposta ao quotidiano”, descreveu a porta-voz do Bloco aos jornalistas no final da visita em que também  participaram os primeiros candidatos bloquistas pelo círculo de Lisboa: Mariana Mortágua, Pedro Filipe Soares e Jorge Costa.

“Lentidão da Justiça é sentida na vida das pessoas”

“O governo que não fez as obras que devia ter feito vem dizer agora em final de mandato que vai dar 5% das necessidades reais de investimento para que haja condições na justiça portuguesa”, prosseguiu Catarina Martins, lembrando que “foram reduzidos em mais de mil os funcionários judiciais nos tribunais portugueses: quando precisávamos de mais, temos menos”.

“As pessoas percebem na sua vida como é tão mau a justiça ser lenta quando têm de resolver um problema de família ou de trabalho. Veem também como o caso BPN está há oito anos e meio parado sem ter solução, ou como no caso dos submarinos da Ferrostaal houve condenados na Alemanha e aqui não se chega a nenhuma conclusão”, defendeu Catarina Martins, concluindo que “um governo que destruiu a justiça é um governo que tornou a democracia mais frágil”.

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