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Concurso de professores afasta 9 em cada 10 candidatos

Mais de 22 mil professores ficaram de fora no concurso de contratação promovido pelo Ministério. A Fenprof diz que o resultado reflete a dimensão da destruição de lugares na escola e o Bloco teme que esteja instalada “nova trapalhada” no início do ano letivo.
Foto Paulete Matos

Dos 25.296 professores candidatos a um contrato para dar aulas no ensino público, apenas 2.833 foram colocados em vagas consideradas necessidades transitórias das escolas. Um terço dos candidatos à renovação do contrato acabou por não o conseguir, tendo havido 949 renovações.

Tudo somado, foram colocados 3.782 professores a contrato, referem os números do Ministério citados pela agência Lusa, que correspondem ao preenchimento de 15.718 dos 17.850 horários pedidos pelos diretores das escolas. Seguem-se agora outros concursos, como a Bolsa de Contratação de Escola e duas reservas de recrutamento no início do ano letivo. Quanto ao número de professores dos quadros com “horários zero”, sem turma atribuída, aumentaram 30% em relação ao ano passado.

Para a Fenprof, os números “revelam bem a dimensão da destruição de postos de trabalho levada a cabo pelo governo nos últimos anos”. Os professores dizem que em condições normais, devia ter aumentado a colocação nas escolas, devido à aposentação de milhares de professores e à rescisão de quase 2.000 docentes, ou ao alargamento da escolaridade obrigatória que ficou concluída no ano passado. “Só que o sentido negativo das políticas impostas pelo governo anulou os benefícios que poderiam ter resultado” destes fatores, lamenta a Fenprof.

A Fenprof refere ainda no comunicado que “foi necessário o ano letivo iniciar-se a um mês de eleições legislativas para o Ministério da Educação recuperar uma prática que havia abandonado relativamente à data da primeira vaga de colocação de docentes”. Nos anos anteriores, milhares de professores ficaram impedidos de participar no trabalho de organização do ano letivo por causa dos atrasos e erros nos concursos. “Felizmente, há eleições, por esta e muitas outras razões…”, conclui o comunicado.

“Está instalada nova trapalhada no início do ano letivo”

Para o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, o adiamento por uma semana da abertura do ano letivo e o resultado conhecido esta sexta-feira do concurso sugere que “está instalada uma nova trapalhada”, depois do ano passado ter sido “o pior que há memória no início do ano letivo”.

Pedro Filipe Soares afirma que para se tentar precaver de novo caos nas escolas em ano de eleições, o governo fez a contratação de professores “sabendo que ainda vai despedir mais a seguir”. “Não há escola sem alunos, mas também não há escola sem professores motivados”, concluiu o deputado bloquista.

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