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Menos 30 mil se inscrevem no Ensino Superior todos os anos

Comparando com a situação na data em que o governo Passos-Portas assumiu, há menos 30 mil alunos que se inscrevem por ano no Ensino Superior, denunciou Catarina Martins, acusando o governo de promover um recuo de cerca de duas décadas.
“O que aconteceu foi uma destruição das condições de vida de todas as gerações e, por essa via, a destruição das condições do próprio futuro do nosso país”, disse a porta-voz do Bloco de Esquerda. Foto de Paulete Matos
“O que aconteceu foi uma destruição das condições de vida de todas as gerações e, por essa via, a destruição das condições do próprio futuro do nosso país”, disse a porta-voz do Bloco de Esquerda. Foto de Paulete Matos

Num comício em Lagos, na noite desta segunda-feira, Catarina Martins acusou o governo do PSD e do CDS de destruírem as possibilidades de futuro, “o pior que este governo está a fazer ao país”. Para demonstrar até onde vai esse grau de destruição, a porta-voz invocou as estatísticas de acesso ao Ensino Superior: “Em relação há quatro anos, quando assumiu este governo, o número de alunos que se inscreve pela primeira vez no ensino superior foi reduzido em mais de 30 mil. Recuámos cerca de duas décadas”, afirmou, acrescentando que metade dos alunos que acaba o 12º ano e que tem condições de aproveitamento escolar de ir para a universidade “nem sequer pensa ir, porque sabe que as famílias não têm condições económicas para isso”.

Destruição das condições de vida de todas as gerações

“O que aconteceu foi uma destruição das condições de vida de todas as gerações e, por essa via, a destruição das condições do próprio futuro do nosso país”, disse a porta-voz do Bloco de Esquerda.

Um país onde quem quer trabalhar, é-lhe oferecido hoje… um estágio. “Que não é nem um trabalho, nem deixa de ser. Um estágio que é aquela coisa que não tem direitos nenhuns. Porque um estágio dura seis ou nove meses, não dá acesso ao subsídio de desemprego”, insistiu a candidata do Bloco, recordando que “o governo injeta milhões e milhões nas empresas para que elas em vez de contratarem um trabalhador tenham estágios”. Catarina Martins sublinhou que “hoje uma empresa consegue contratar um trabalhador qualificado por 50 euros por mês enquanto o Estado paga o resto e os estagiários recebem entre 400 e 600 euros, por muito qualificados que sejam, por muitas responsabilidades que tenham”.

Duas escolhas

A porta-voz lançou mais uma vez números estarrecedores que mostram porque no programa da coligação da direita não há um único número, uma única conta: “Nos últimos quatro anos, a dívida pública aumentou, a cada hora que passou, um milhão e meio de euros. A cada dia que passou foram destruídos 220 postos de trabalho”.

Nos últimos quatro anos, a dívida pública aumentou, a cada hora que passou, um milhão e meio de euros. A cada dia que passou foram destruídos 220 postos de trabalho

Para o Bloco de Esquerda, há duas escolhas: “ou continuamos a acreditar que o modelo deve ser a austeridade, a obediência simpática ao ministro Schäuble ou à sra. Merkel, ou continuamos a achar que no nosso país devemos romper com a austeridade”.

Lembrando as mentiras do governo de Passos Coelho, aquele que disse na campanha que não tocaria no subsídio de férias para depois cortá-lo logo que assumiu o governo, Catarina Martins acusou o Partido Socialista de afirmar que quer fazer diferente, “mas não pode porque não se pode mexer na dívida para em Bruxelas não ficarem chateados. As privatizações não se podem parar, e o mercado de trabalho está muito rígido, o que é preciso é despedimentos por consenso. O PS não apresenta nenhuma alternativa à austeridade”.

Falar claro

Para Catarina Martins, a hora é de falar claro: “os partidos PS, PSD e CDS, escondem que assinaram compromissos europeus que obrigam o país em 2016 a gastar no serviço da dívida tudo o que se gastou este anos e mais outro tanto, o equivalente a todo o Serviço Nacional de Saúde e toda a Escola Pública”, acusando esses partidos de escondem essas contas nos programas, não falarem sério “e no dia a seguir às eleições lá estarão eles para aumentar impostos sobre quem trabalha, lá estarão eles para fazer mais privatizações”.

Emigração

João Vasconcelos é o cabeça de lista pelo Algarve. Foto de Paulete Matos

Antes falara no comício o cabeça-de-lista pelo círculo eleitoral do Algarve, o professor João Vasconcelos, que entre outros temas abordou o da emigração. “Nos últimos anos, quantas centenas de milhares de pessoas, muitos deles jovens aqui do Algarve, emigraram e vão emigrar porque não conseguiram encontrar uma vida digna, condições de trabalho? São obrigados a deixar as suas famílias e rumar para o estrangeiro. Estamos a atingir neste momento situações de emigração muito semelhantes àquelas que se viveram nos últimos anos do Estado Novo”, afirmou.

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