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“Dizer sempre que sim a Bruxelas, corta condições de vida e capacidade do país”

Catarina Martins criticou declarações da ministra Assunção Cristas sobre a pesca da sardinha e defendeu que é preciso apostar na investigação científica e em políticas ambientais para permitir a sustentabilidade da pesca e dos setores do mar.
Montegordo, encontro com mariscadores - Foto de Paulete Matos

Catarina Martins esteve neste sábado com a Associação de Mariscadores de Arrasto de Cintura da Baía de Monte Gordo e pronunciou-se também sobre os problemas relacionados com a pesca da sardinha.

Em relação à pesca da sardinha, a porta-voz do Bloco apontou que as quotas derivam de duas questões: “uma razão clara de sustentabilidade ambiental das próprias espécies” e “outra razão, que é ficarmos sujeitos às quotas impostas unilateralmente por Bruxelas e não termos nenhuma capacidade de contraproposta”.

“O que há anos nós devíamos estar a fazer, num país que tem a nossa costa, é apostar na investigação científica e nas políticas ambientais que permitissem a sustentabilidade desses setores vitais para a nossa economia” afirmou Catarina Martins, criticando o governo por fazer o contrário que “penaliza os pescadores, que cada vez podem pescar menos, cada vez têm piores condições” e, simultaneamente “também desinveste nos setores” que permitiam defender a “sustentabilidade da nossa economia, nomeadamente a investigação científica”.

“A estratégia de cortar sempre no país e de dizer sempre que sim a Bruxelas o que faz é cortar a capacidade produtiva do país e cortar nas condições de vida”, sublinhou a porta-voz do Bloco, referindo-se às declarações da ministra Assunção Cristas, que sobre a pesca da sardinha disse que "se não nos portarmos bem”, a UE pode “determinar uma quota mais penalizadora".

Situação dos mariscadores é absurda”

Sobre os mariscadores e a interdição da pesca de bivalves, a porta-voz do Bloco referiu problemas diferentes. “Por um lado, os mariscadores estão impedidos de apanhar, mas também, não têm acesso ao fundo de compensação, que a lei diz que devem ter acesso” e, “por outro lado, os problemas da toxicidade que já se levantam há anos”, que estão prometidos “mecanismos que têm a ver com políticas de controlo ambiental, mas também com políticas do ponto de vista da investigação científica que são importantíssimas para garantir que as pessoas podem apanhar durante todo o ano e que não ficam meses sem conseguir trabalhar”.

Catarina Martins denunciou que “a situação dos mariscadores é uma situação absurda”. “Há 300 mariscadores e só 30 é que têm licença e depois há todos os turistas que acabam por ser mariscadores amadores durante o verão”, referiu a deputada.

Catarina Martins apontou que “a solução para estas questões, que são complexas, precisa de uma visão clara do futuro do país”. Por um lado, coloca-se “a sustentabilidade da apanha e isso exige políticas ambientais e políticas de investigação científica” e, por outro lado, “o apoio a quem vive desta profissão com os fundos de compensação, como está na lei”, não ficando meses sem ganhar.

“O Bloco de Esquerda tem vindo a propor que o fundo de compensação tem de ser pago mensalmente. Não se pode dizer aos mariscadores, como não se pode dizer aos pescadores, que fiquem meses sem ter acesso a rendimento e depois a compensação será dada por atacado”, defendeu Catarina Martins.

A porta-voz do Bloco sublinhou ainda que “a forma como o fundo de compensação funciona é uma forma que não responde minimamente às necessidades” e que se trata de “verbas muito pequenas”. “Não estamos a falar de nenhum esforço desmedido para o orçamento do Estado. E estamos a falar do respeito básico de quem vive do seu trabalho” realçou ainda Catarina Martins.

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