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Polícias anunciam “repressão zero” e manifestações

Quatro associações sindicais da polícia acusam o governo de faltar à promessa de aprovar as alterações do Estatuto da PSP e anunciam um conjunto de ações de protesto que coincidem com a campanha eleitoral para as legislativas de 4 de outubro.
Polícias anunciam a realização de novas manifestações
Polícias anunciam a realização de novas manifestações

Paulo Rodrigues, dirigente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP) anunciou que os polícias iniciam a 31 de agosto um mês de ações de protesto, entre as quais manifestações, para denunciar a falta de aprovação das alterações ao Estatuto da PSP que o governo prometera há quatro anos.

A ASPP/PSP reuniu-se na terça-feira com três outras estruturas sindicais, o Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP/PSP), o Sindicato Independente dos Agentes da Polícia (SIAP) e o Sindicato Vertical de Carreiras da Polícia (SVCP).

“Tendo em conta que o governo está a faltar à palavra, não nos resta outra alternativa senão desenvolver um conjunto de ações de protesto para dizer claramente que o governo não está a merecer a confiança dos profissionais da polícia”, disse Paulo Rodrigues.

Entre estas ações, que coincidem com a campanha eleitoral para as legislativas de 4 de outubro, contam-se manifestações com início do último dia de agosto e que se prolongarão até ao final de setembro, “em vários pontos do país”.

Detalhes de redação”

Na segunda-feira, em Macedo de Cavaleiros, a ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues, disse que o governo está a trabalhar na redação dos estatutos das forças de segurança, “em detalhes de redação e também a acertar outros detalhes com outros ministérios”, relativamente às alterações. “A acreditar no comentário da ministra, depois das eleições ainda continua o processo em curso”, deduz Paulo Rodrigues.

O dirigente da ASPP/PSP responsabiliza ainda o governo por os protestos coincidirem com a campanha eleitoral. “Quem nos empurrou para este período foi o próprio governo, nós estamos a defender a aprovação do estatuto, independentemente de estarmos em campanha eleitoral ou não – esse não é o nosso problema”, acrescentou.

As quatro estruturas sindicais da polícia vão também apelar aos profissionais para que “façam mais pedagogia, não façam repressão, ou seja, repressão zero”, se não estiver em causa o maior interesse público ou a vida de qualquer cidadão.

“Vamos apelar aos colegas que até final de setembro se cinjam a fazer mais prevenção ou exclusivamente prevenção”, porque é preciso que os polícias deem um sinal claro de que não podem concordar com um governo que diz e não faz, que se compromete e não cumpre”, refere.

GNR também protesta

Nesta quarta-feira, a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) protestou também pela falta de aprovação do novo estatuto da Guarda Nacional Republicana (GNR), afirmando ter "informações que indiciam que o processo está pendente por pressões com origem no Ministério da Defesa e nos oficiais generais do exército", segundo um comunicado da Associação.

Àquelas alegadas pressões, "somar-se-ão outras oriundas da Casa Militar do Presidente da República", acrescenta o documento da APG, que considera tratarem-se de posições que, a verificarem-se, "são inaceitáveis em democracia".

Segundo a APG, "o funcionamento da democracia não se compadece com os interesses de lóbis instituídos", pelo que responsabiliza o governo e a tutela, ao mesmo tempo que alerta para a possibilidade de vir promover ações de protesto se o projeto de estatuto não for aprovado nos moldes acordados.

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