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“Não desistimos de matar a austeridade, antes que ela mate o país”

Num jantar-comício em Olhão, Catarina Martins afirma que a prioridade do Bloco de Esquerda é derrotar a direita e a política de austeridade. “Era bom que todos os que querem uma alternativa se concentrassem nessa tarefa”, desafiou, criticando o PS por parecer agora muito preocupado com as eleições… presidenciais.
Catarina Martind em Olhão: "Eventualmente se percebem melhor as diferenças dentro do PS sobre as presidenciais do que a diferença entre a estratégia quer o PS propõe para o país e o que a direita PSD-CDS têm feito até agora". Foto de Paulete Matos
Catarina Martind em Olhão: "Eventualmente se percebem melhor as diferenças dentro do PS sobre as presidenciais do que a diferença entre a estratégia quer o PS propõe para o país e o que a direita PSD-CDS têm feito até agora". Foto de Paulete Matos

A porta-voz do Bloco afirmou em Olhão que o trabalho do partido daqui às eleições “é lembrar as pessoas da força que têm para decidir o seu futuro. Do poder que têm para decidir a sua vida, a nossa vida coletiva”, apelando aos desiludidos para não desistirem, para quererem diferente.

Afirmando que nestas eleições há três caminhos, Catarina Martins debruçou-se primeiro sobre o da direita, “que é continuar a empobrecer o país dizendo que algum dia vai melhorar”. A direita, lembrou, dizia que era em 2013 que as coisas iam melhorar, depois era 2014, “agora dizem que em 2015 já há alguns sinais, mas em 2016 é que vai ser!”

Para a porta-voz do Bloco, este é o caminho de quem desiste do país. “De quem vê meio milhão de pessoas a sair do país em quatro anos e encolhe os ombros – a emigração são novas oportunidades. Quem vê a taxa de natalidade a descer, em quatro anos, mais do que desceu toda a década anterior, e acha que creches públicas não são coisas que nos assista, talvez as deduções no IRS das famílias mais ricas faça as pessoas ter filhos”.

A direita vê a taxa de natalidade a descer, em quatro anos, mais do que desceu toda a década anterior, e acha que creches públicas não são coisas que nos assista

Quanto ao desemprego, a candidata do Bloco afirmou que hoje “resta muito pouco emprego no país e sobra muito abuso”, referindo-se aos estágios, aos contratos de emprego-inserção, “desta ideia de que não é preciso existir um contrato de trabalho ou um salário para quem está a trabalhar”. E recordou que sete em cada dez empregos criados por este governo, “o governo que destruiu 218 mil postos de trabalho”, são estágios, e seis deles são estágios financiados pelo Estado – “o Estado a financiar o abuso”.

PS quer despedimentos por consenso

“O outro caminho é o do Partido Socialista”, prosseguiu, “que diz que quer fazer diferente, mas acha que o mercado de trabalho ainda é muito rígido e que é preciso facilitar despedimentos, despedimentos 'por consenso'”. O PS, acusou, “diz que as coisas têm estado mal, mas não se pode dizer coisas desagradáveis a Bruxelas porque poderíamos levar com a porta na cara”. E definiu assim a proposta do PS: “É um caminho que nos diz que quer fazer diferente sem nunca ter a coragem de fazer nada absolutamente diferente”.

Que a dignidade do trabalho seja respeitada”

Finalmente, o terceiro caminho é o que o Bloco de Esquerda propõe: “que a dignidade do trabalho seja respeitada; que sejam recuperados os rendimentos de quem vive do seu trabalho. Que seja apoiado quem precisa de apoio. Que pare a sangria do país para o sistema financeiro e para a negociata de uns poucos”.

É possível recuperar rendimentos com uma reforma fiscal a sério para que quem nunca pagou comece a pagar.

E expôs algumas propostas do Bloco de Esquerda: “É possível recuperar rendimentos com uma reforma fiscal a sério para que quem nunca pagou comece a pagar. É possível recuperar rendimentos dizendo que os contratos com as pessoas que aqui vivem não são para deitar fora quando aparecem os credores. Que um país pode e deve levantar a cabeça e fazer a renegociação da sua dívida. Só um país que respeite a dignidade dos que aqui vivem terá gente aqui a viver e terá futuro”.

Matar a austeridade, antes que ela mate o país

Em conclusão, Catarina Martins observou que nos último dias o PS pareceu mais interessado em falar nas eleições presidenciais. A única coisa que vemos é que eventualmente se percebem melhor as diferenças dentro do PS sobre as presidenciais do que a diferença entre a estratégia quer o PS propõe para o país e o que a direita PSD-CDS têm feito até agora. E isso é dramático. A nossa prioridade é derrotar a direita e a política de austeridade. E era bom que todos os que querem uma alternativa se concentrassem nessa tarefa. Não desistimos de matar a austeridade, porque a austeridade está a matar o país.

Estrada da morte”

Antes de Catarina Martins falou João Vasconcelos, cabeça de lista pelo círculo eleitoral do Algarve falou da "estrada da morte" que se tornou a nacional 125 depois da criação das portagens na Via do Infante e criticou também o "ruinoso" modelo PPP destas portagens, destacando a oposição da população algarvia à introdução destas portagens.

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