You are here

“A esperança da direita é que o país não tenha memória”

Numa sessão pública em Tavira, Catarina Martins criticou as promessas de Nuno Crato de fazer as obras nas escolas que mandou parar no seu mandato. Para acabar com o abuso dos estágios profissionais subsidiados pelos contribuintes, o Bloco propõe que as empresas candidatas a esse apoio tenham de contratar pelo menos metade dos estagiários.
Catarina Martins na sessão do Bloco em Tavira

Referindo-se à promessa feita esta segunda-feira pelo ministro da Educação, de que iria arrancar com obras em dezenas de escolas, Catarina Martins lembrou em Tavira que este é “o mesmo governo que teve durante estes anos 32 escolas com aulas em contentores, que parou as obras e pagou milhares e milhares a construtores por causa das obras estarem paralisadas”.

Para a porta-voz do Bloco, esta promessa de Nuno Crato é um dos exemplos de que a campanha eleitoral da direita “tem esperança que em Portugal não exista memória”. Os discursos da coligação de direita no comício do Pontal – onde “o CDS morreu enquanto partido autónomo" e assumiu a nova função de "servir de adereço ao PSD” – trouxe mais exemplos dessa “esperança”, prosseguiu Catarina: “Dizem que acabaram com a economia do endividamento. E quem diz isto é o governo que mais endividou o país na história da nossa democracia”.

Empresas candidatas a apoios do Estado têm de empregar os estagiários

O balanço do mandato do governo no que diz respeito ao emprego tem sido um dos temas fortes da pré-campanha e Catarina Martins voltou a insistir nos números desse balanço: “Há hoje menos 218 mil empregos do que em 2011. E quando olhamos para os empregos que existem, vemos que 70 mil não são empregos, são trabalho forçado e gratuito chamado Contrato Emprego-Inserção. São pessoas que cumprem 40 horas semanais e não têm direito a salário”.

Para travar o abuso, o Bloco propõe que uma empresa só possa continuar a candidatar-se a apoios para estágios se contratar pelo menos um em cada dois estagiários. “Apoiar estágios, sim. Fomentar o abuso, não. Tão simples quanto isto”, resumiu a porta-voz do Bloco.

A estes números acescentam-se os dos 150 mil estágios, que para a porta-voz do Bloco se tornaram “numa das maiores aldrabices deste governo”. “O governo disse às empresas: não contratem trabalhadores, dêem-lhes um estágio”, com o Estado a pagar-lhes boa parte da bolsa de estágio. “Hoje, em Portugal, uma empresa pode contratar uma pessoa por 50 euros por mês. Isto é um abuso e um insulto às 70 mil pessoas que estão a trabalhar nestas condições”, concluiu Catarina Martins.

Para travar o abuso, o Bloco propõe que uma empresa só possa continuar a candidatar-se a apoios para estágios se contratar pelo menos um em cada dois estagiários. “Apoiar estágios, sim. Fomentar o abuso, não. Tão simples quanto isto”, resumiu a porta-voz do Bloco.

João Vasconcelos na sessão do Bloco em Tavira

A proliferação dos atuais "estágios" e Contratos Emprego Inserção no Algarve foi denunciada na intervenção de João Vasconcelos, que encabeça a lista do Bloco de Esquerda por este círculo eleitoral às eleições de 4 de outubro. Para além do desemprego e da precariedade laboral, João Vasconcelos destacou outros elementos do balanço profundamente negativo dos últimos quatro anos para quem vive na região algarvia.

O risco de encerramento da Maternidade de Faro por falta de médicos obstetras e os danos para a economia local que são infligidos pelas portagens na A22-Via do Infante, enquanto a Estrada Nacional 125 se vai tornando cada vez mais perigosa por excesso de tráfego, foram dois dos pontos sublinhados pelo candidato bloquista.

Catarina Martins falou dos principais pontos da agenda de propostas do Bloco para as próximas legislativas, como a urgência de restruturar a dívida portuguesa, como uma reforma fiscal “para devolver rendimentos a quem vive do seu trabalho ou trabalho toda a vida, para criar emprego e fazer a economia crescer”. Ou a urgência da restruturação da dívida, “porque ela aumenta um milhão de euros por hora e não é por causa de quem vive do seu salário, mas sim de um sistema financeiro que decidiu salvar-se à conta de países como Portugal”.

“É preciso reivindicar o respeito por quem trabalhou toda uma vida. Quem construiu o Estado Social nas últimas décadas não merece que a sua pensão seja o porquinho mealheiro de um governo em dificuldades.

Termos relacionados legislativas 2015, Política
(...)