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O IEFP na Guerra dos Mundos: entre pintor, saia Zuckerberg

O IEFP e as suas espantosas soluções para o desemprego… Poderiam bem dar uma série de ficção científica: o IEFP na Guerra dos Mundos. Ligeiramente científica, mas não muito.

O novo episódio deste confronto entre mundos, o real e o imaginário (ou psicotrópico), chega às nossas salas pejado de tecnologia. Desta vez, é muito a sério: o IEFP vai converter desempregados licenciados em geeks programadores especialistas em TIC – Tecnologias de Informação e Comunicação.

Diz o Pedro Guilherme – Diretor de Comunicação do IEFP – que o défice nas TIC é grande e que um licenciado em História é um Mark Zuckerberg em potência, e que certamente uma Arquiteta Paisagista só não desenvolve um portal Online se estiver de má vontade.

No ISCTE, por exemplo, em 300 horas se transformará um licenciado em Psicologia num Programador dotNET. Pedro Sebastião, professor no ISCTE, está determinado a lutar contra o desemprego e afirma: “Temos de fazer alguma coisa para tirar estas pessoas dos centros de emprego e o ISCTE tem também esta missão”.

E o missionário é nobre: colocar os desempregados licenciados a programar para que “...durante o estágio desenvolvam projectos que considerem que sejam do interesse da empresa…”. Ah! Assim está bem.

Tudo parece bem: desempregados, formados, reconversão, mercado, trabalho, tecnologia. Fantástico, como é que ninguém se lembrou disto antes?

A seguir damos 3 meses de formação a sapateiros para que possam arrancar dentes e tratar cáries, depois, em dois meses metemos licenciados em enfermagem a trocar correias de transmissão e pastilhas dos travões, e quase de certeza que num mês conseguimos transformar atores e atrizes em chefes de cozinha num dos mil e quinhentos restaurantes do Avillez no Chiado.

Se fosse sério, isto tudo seria mesmo sério e tudo colocaria em causa. Mas não é. É mesmo só negócio com o dinheiro de todos, e uma campanha de publicidade imaginada sob a ação de psicotrópicos, a gozar com os desempregados, que envolverá salários (bolsas) de baixíssima remuneração, pagas pelo estado e como sempre com benefício de uma ou outra empresa que obterá trabalho gratuito.

No meio disto, quem perde é o do costume: o mexilhão, o bit, o Zuckerberg...

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Engenheiro informático
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