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Outra Escola é possível!

A divulgação dos resultados de projetos como o da Escola da Ponte não interessa ao Governo PSD/CDS e ao seu ministro da Educação, porque deitam por terra todas as falácias sobre o suposto rigor da sua política enformada pelo elitismo e pela seleção social.

Há dias revisitei um livro que me impressionou vivamente - “A Escola Com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir”, da autoria do educador Rubem Alves, considerado, por muitos, um dos maiores pedagogos brasileiros de todos os tempos.

Na obra, publicada em 2001, Rubem Alves fala-nos do encantamento suscitado pela visita à Escola da Ponte, em Vila das Aves, onde, como ele dizia, se pratica uma pedagogia “radical”, porque rompe com práticas que não favorecem a reflexão, e se promove a integração de saberes, a autonomia dos alunos e a entreajuda. “Uma escola ligada ao prazer de aprender, repleta do lúdico, ligada à dança, à música, à poesia, à compreensão dos valores, lidando com as emoções, com as descobertas, buscando através das pesquisas o aprender a ser, a viver e a conviver”.

Ruben Alves acrescentava que era “uma escola que contribuía para a criação de uma sociedade de indivíduos personalizados, participantes, democráticos e educados na cidadania. Uma escola onde aprender é fazer; é viver, pensar, criar, inovar, é dar valor àquilo que se aprende na convivência, expressando a própria vida. Onde aprender tem várias formas”.

São já 39 anos de um caminho alternativo, com provas dadas, mesmo a nível dos resultados escolares de que tanto gostam de falar os responsáveis do ministério, mas as opções educativas estão nas antípodas das de Nuno Crato. À examocracia contrapõe-se a inexistência de testes e de provas. Os únicos testes que os alunos fazem são os exames nacionais, porque são obrigatórios, e aí não se têm saído mal, antes pelo contrário! Contrariando o espartilho das disciplinas, promove-se a mobilização de várias áreas do saber, para estudar fenómenos ou resolver problemas. A competição feroz é substituída pela entreajuda.

Não há turmas e os professores trabalham em equipa para ajudar os alunos a cumprirem os objetivos delineados a nível individual. Os alunos controlam o seu processo de aprendizagem, e quando entendem que atingiram os objetivos estabelecidos, assinalam-no num quadro, para que os professores possam verificar se já os atingiram ou se precisam de ajuda.

No que se refere aos resultados escolares e ao clima de escola, na última avaliação externa, levada a cabo pela Inspeção-Geral da Educação (IGEC), a escola foi avaliada com Muito Bom em todos os parâmetros. Os técnicos do Ministério da Educação e Ciência referiram que a escola comparada com outras do mesmo contexto tem valores acima dos esperados e elogiam a ausência de problemas disciplinares e de abandono.

Mas a divulgação dos resultados de projetos como o da Escola da Ponte não interessa ao Governo PSD/CDS e ao seu ministro da Educação, porque deitam por terra todas as falácias sobre o suposto rigor da sua política enformada pelo elitismo e pela seleção social.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Professora.
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