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Austeridade empurrou Portugal para crise demográfica, diz Financial Times

“Uma recessão agravada por um programa de ajustamento económico doloroso, aplicado por Lisboa em troca de um resgate de 78 mil milhões de euros da UE e do Fundo Monetário Internacional, agravou a crise demográfica”, escreve o jornal britânico.
Foto de Paulete Matos.

 “A taxa de fertilidade em Portugal - o número médio de crianças na população por cada mulher em idade fértil - tem vindo a decair, de três em 1.970 para 1,21, em 2013. Este é o nível mais baixo na Europa, com apenas a Coreia do Sul a ter uma taxa mais baixa entre as 34 nações mais ricas da OCDE”, lembra o Financial Times.

O jornal britânico destaca que “a crise iminente”, descrita como “uma tempestade demográfica perfeita”, resulta da “combinação da enorme queda demográfica, uma recessão profunda e uma onda de emigração que está rapidamente a transformar o país numa sociedade de famílias com apenas um filho”.

“A crise iminente”, descrita como “uma tempestade demográfica perfeita”, resulta da “combinação da enorme queda demográfica, uma recessão profunda e uma onda de emigração que está rapidamente a transformar o país numa sociedade de famílias com apenas um filho”

“Ao longo dos últimos cinco anos, uma recessão agravada por um programa de ajustamento económico doloroso, aplicado por Lisboa em troca de um resgate de 78 mil milhões de euros da UE e do Fundo Monetário Internacional, agravou a crise demográfica”, avança o FT, lembrando que “com um terço dos menores de 25 anos no desemprego, centenas de milhares de pessoas, na maioria jovens, emigraram à procura de trabalho”.

O diário recorda que “entre 2010 e 2014, Portugal perdeu 198 mil habitantes, perto de 2 por cento da sua população, à medida que o número de mortes excedeu os nascimentos, a emigração aumentou para níveis não vistos desde os anos 1960 e a imigração abrandou”.

“Se nada mudar, a pior projeção do pior pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) vê a população de Portugal passar de 10,5 milhões para 6.3 milhões em 2060, enquanto o número de pessoas com mais de 65 anos em cada 100 com menos de 15 - o chamada índice de envelhecimento - dispararia de 131 para 464, o maior na Europa”, alerta o FT.

“Mesmo na previsão central mais otimista do INE, Portugal deve perder 2 milhões de habitantes ao longo dos próximos 45 anos, com o índice de envelhecimento a subir para 307. Em pouco mais de uma geração, estima o Eurostat, Portugal será o país da UE com menor proporção de crianças, com a percentagem de menores de 15 anos a cair de 14,6 por cento da população em 2014 para 11,5 por cento em 2050”, acrescenta.

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