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A Deficiência da Comunicação Social entre Estado, Partidos e Povo

Portugal reconheceu a Língua Gestual Portuguesa (LGP) na Constituição da República Portuguesa como segunda língua do país, mas a prática é “zero” no acesso e na visibilidade da LGP. É uma discriminação!

A Comunidade Surda é uma minoria linguística e cultural e vivemos numa sociedade maioritariamente “ouvinte” que tem acesso ao mundo sonoro e a toda a informação, principalmente nos programas dos canais televisivos e na rádio. As Pessoas Surdas residentes em Portugal são cerca de 13% de dez milhões e quinhentos residentes portugueses, com base nos CENSOS de 2011 que nos colocaram no tipo “dificuldade de ouvir”. 

Nota-se que nas redes sociais, principalmente no Facebook, critica-se tanto os políticos e afirma-se que “são todos iguais!”, “ninguém faz nada!”, “recebem muito dinheiro que tiram do bolso do povo!”, “corruptos, ladrões, etc…!”: O povo perdeu a confiança no poder político, mas porquê? Alguns partidos trazem caras novas, atualizam os objetivos e programas eleitorais, entre outros, e até conseguiram a quota do género. Mas o povo continua a não acreditar e nós os Surdos também não acreditamos numa política ativa porque enfrentamos uma situação diferente: temos o enorme obstáculo sobre a informação política atual. Essa questão gera dúvidas e, em Portugal, existem muitas dificuldades na comunicação do Estado devido às reformas estruturais pelo interesse nacional e que nunca demonstraram o problema real sobre a comunicação social que divulga sempre os aspetos negativos. Nós, como povo português, elegemos o PSD/PP para a entrada no Estado e não houve notícias diárias dos acontecimentos internos do Estado, a comunicação social apenas divulgou para o “bem” da gestão do Estado. Não sei como podemos acreditar nas palavras da comunicação social. Por exemplo, sobre o acontecimento da comunicação da situação da Grécia, nomeadamente, o desentendimento entre o governo grego e os membros do Eurogrupo, principalmente a Alemanha, que inclui Portugal, não recebemos uma comunicação formal do Estado sobre que decisão apoia… isto é gravíssimo! Somos pessoas portuguesas e também somos europeus! Considerando que a comunicação social gerou algumas ameaças à Grécia e alertou as pessoas para acreditarem nesta situação, envolvendo até as redes sociais, principalmente o Facebook e o Twitter. Isto é negativo porque tenta-se influenciar todas as pessoas a acreditar em determinada ideia, criando-se uma polémica social. Questiono-me a mim próprio se as pessoas ouvintes conseguem perceber tudo o que é dito na televisão, por exemplo, os telejornais, os programas de futebol, entre outros, inclusive os debates políticos. Isto aplica-se também à Comunidade Surda que tem muita dificuldade em acompanhar as notícias destes acontecimentos e acaba por não entender corretamente a situação. Os números das horas de tradução em Língua Gestual Portuguesa não foram suficientes para esclarecer todos os assuntos e também o “mini-quadrado” da janela de interpretação na televisão não tem boa visibilidade. Desta forma, acuso que a comunicação do Estado tem muitas falhas e não chega a todos os portugueses!

Os partidos políticos, nomeadamente o PSD/PP e o PS, promoveram o tempo de antena nas televisões com um “mini-quadrado” de Intérprete de LGP, mas os debates televisivos e as campanhas eleitorais continuam sem LGP. As Pessoas Surdas, o povo Surdo português, percebe perfeitamente que se trata de um “jogo sujo” para fazer os Surdos eleitores de “parvos” e levá-los a acreditar nisso. Por isso, muitos Surdos faltaram ao dia de eleições para ir ao supermercado, tomar café, etc., sem preocupações, porque os partidos não têm interpretação em Língua Gestual Portuguesa (LGP), exceto o Bloco de Esquerda (BE) que fez a tradução em LGP com um gestuante nativo em LGP e divulgou no website da esquerda.net. Comprova-se que o BE demonstrou um esforço para a integração de uma política para todos, que evite a exclusão social e as desigualdades das minorias. Até ao momento não chegam os números de eleitores para a entrada do governo, mas acredita-se que a percentagem irá subir em breve. Aponto esta situação gravíssima: Portugal reconheceu a LGP na Constituição da República Portuguesa como segunda língua do país, mas a prática é “zero” no acesso e na visibilidade da LGP. É uma discriminação!

Quanto à legendagem em todos os programas da televisão, é indispensável para todos! As pessoas ouvintes podem perder a audição (dependendo da idade) e precisam desse recurso! Até as crianças ouvintes podem ter um nível baixo de Português porque só assistem a programas dobrados! Necessitamos de contar com o vosso apoio na assinatura desta petição para superar as quatro mil assinaturas e depois podermos fazer uma proposta de projeto- lei na próxima agenda.

Assinem a petição: “Pela legendagem em português da programação televisiva”

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=legendas-em-pt-na-tv

Sobre o/a autor(a)

Docente de Língua Gestual Portuguesa. Pós graduado em Sociologia. Dirigente do movimento associativo da Comunidade Surda
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