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Arsenal nuclear existente é suficiente para armar todos os países do mundo com 85 bombas atómicas

Em 2011, foram gastos cerca de 100 mil milhões de dólares em programas nucleares. Estados Unidos da América despenderam 61,3 mil milhões de dólares.
Entre 2010 e 2020, governos em todo gastarão à volta de 1 bilião de dólares em armas nucleares.

Em 1945, ainda no contexto da 2ª Guerra Mundial, os Estados Unidos lançaram a bomba “Little Boy” (pequeno rapaz) sobre Hiroxima, resultando na morte de cerca de 140 mil civis japoneses. Passados 70 anos, apesar dos tratados de desarmamento nuclear, a quantidade de armas deste tipo existente, mais de 16 mil, seria suficiente para armar todos os países do mundo com 85 ogivas — ou o equivalente ao arsenal nuclear de Israel, como indica o último Boletim dos Cientistas Atómicos, publicado ano passado.

Hiroxima foi o primeiro alvo de uma bomba nuclear na história. Três dias depois, a também japonesa Nagasaki teria o mesmo tratamento, alvo da ogiva norte-americana “Fat Man” (homem gordo). O saldo total de mortos decorrentes dos dois ataques ultrapassa os 200 mil civis japoneses. Após os bombardeios, ocorreram mais de 2.000 detonações de bombas nucleares em testes e demonstrações, nenhuma delas foi em outra guerra.

O uso das bombas impulsionou a corrida armamentista entre Estados Unidos e a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) durante o período conhecido como Guerra Fria (1945-1991). Não por acaso, hoje Rússia e os EUA detêm 93% das armas nucleares de todo o mundo.

A quantidade de ogivas prontas para o uso sob a posse de Washington e Moscovo é aproximadamente 25 vezes superior à da França, que detém o terceiro maior arsenal. E, se permanecer no mesmo ritmo de crescimento, os dois arsenais que crescem mais rapidamente, Paquistão e Índia, poderiam levar 760 anos para atingir os dois países no topo da lista.

Gastos

De acordo com a ONG Global Zero, que defende um mundo sem armas nucleares, nesta década (entre 2010 e 2020), governos em todo gastarão à volta de 1 bilião de dólares em armas nucleares.

A mesma organização aponta que os nove países gastaram, em 2011, aproximadamente 100 mil milhões de dólares em programas nucleares — sendo que somente os Estados Unidos gastaram 61,3 mil milhões de dólares —. O estudo considera ainda que, segundo uma estimativa conservadora, o custo representa 9% do total de investimentos militares a cada ano.

Em tom crítico, a ONG pontua que os governos precisam de fazer escolhas, “sobretudo em tempos de crise”, e que preferem fazer cortes em “educação, saúde, segurança pública e outros serviços essenciais”, mas não em armas nucleares.

Não-Proliferação

São nove os países que possuem reconhecidamente armas nucleares: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Coreia do Norte e Israel.

Mas, cinco países integrantes do TNP (Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares), e que também são os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China — possuem mais de 98% das armas nucleares do mundo, aponta o estudo.

Assim, apesar do aumento de armamento em países fora do TNP, a responsabilidade pela redução das armas de destruição em massa é predominantemente do chamado grupo dos cinco.

O trabalho, realizado por Hans M. Kristensen e Robert S. Norris, ambos da Federação de Cientistas Norte-Americanos, conclui que o TNP está perante um dilema. "Após décadas de redução dos níveis das ogivas nucleares após a Guerra Fria, esta tendência parece ter diminuído e todos os Estados com armamento nuclear estão ocupados a modernizar os seus arsenais nucleares. Não há indicações de que alguma das potências esteja a planear desistir das armas nucleares num futuro previsível. Pelo contrário, “todas falam da importância das armas nucleares para a segurança nacional”.

Artigo publicado em Opera Mundi.

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