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Greve de enfermeiros de Lisboa e Vale do Tejo tem adesão de 80%

Sindicato sublinha que a paralisação mostra o enorme descontentamento dos profissionais com o governo e o Ministério da Saúde devido ao congelamento das progressões, aos cortes nas horas extras, à enorme exploração, e lembra o abandono de cerca de 2000 enfermeiros do Serviço Nacional de Saúde entre março de 2014 e março de 2015. Greve prossegue nos próximos 2 dias, no Alentejo e Algarve.
A greve prossegue na quarta-feira no Alentejo e na quinta-feira ao Algarve, seguindo-se posteriormente mais paralisações na região norte e na região centro. Foto de Paulete Matos
A greve prossegue na quarta-feira no Alentejo e na quinta-feira ao Algarve, seguindo-se posteriormente mais paralisações na região norte e na região centro. Foto de Paulete Matos

O presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), José Carlos Martins, afirmou esta terça-feira que a greve dos enfermeiros de Lisboa e Vale do Tejo teve uma adesão, no turno da noite, de 77,3%, o que "evidencia bem o enorme descontentamento" destes profissionais com o governo e o ministério da Saúde que ainda não apresentou uma contraproposta de revisão salarial para estes profissionais, ao contrário do que aconteceu com outros trabalhadores.

Centros de saúde e consultas afetadas

Uma enfermeira ouvida pelo Esquerda.net disse que a greve está a afetar principalmente os centros de saúde, as consultas hospitalares e os blocos operatórios. Um exemplo é o do centro de saúde de Sete Rios, o maior de Lisboa, que é um dos mais afetados pela greve, com a interrupção de serviços como a Vacinação Internacional (onde as pessoas que vão viajar para determinados países recebem as vacinas necessárias), bem como a vacinação do plano nacional de vacinas. A sala de tratamentos também está fechada. As consultas de S. José estão a ser afetadas, porque há médicos que se recusam a fazê-las sem enfermeiros, e há blocos operatórios de Santa Maria fechados por falta de enfermeiros para as cirurgias.

Descontentamento

José Carlos Martins explicou que 70 a 80% dos enfermeiros que a ausência de progressão nas carreiras faz com que os enfermeiros recebam uma remuneração líquida mensal entre 900 a 1000 euros, quer tenham um ou 30 anos de carreira.

SEP denuncia a "enorme exploração dos enfermeiros especialistas que tiram um curso de especialização, prestam mais e melhores cuidados, mas mantêm o seu salário".

"Isto é uma das razões que levou ao abandono de cerca de 2000 enfermeiros do SNS (Serviço Nacional de Saúde) no prazo de um ano", entre março de 2014 e março de 2015, destacou. O presidente do SEP apontou ainda outros motivos para o descontentamento dos enfermeiros, entre os quais os 10 anos de congelamento das progressões, cortes em 50% das horas extraordinárias, trabalho noturno e ao fim de semana e a "enorme exploração dos enfermeiros especialistas que tiram um curso de especialização (...) prestam mais e melhores cuidados, mas mantêm o seu salário".

Ministério retira aos enfermeiros para custear Misericórdias e PPP

O SEP acusa o ministro da Saúde de retirar aos enfermeiros "para custear Misericórdias, PPP (Parcerias Público-Privadas) e outros grupos profissionais". O sindicato recorda que recentemente o ministério anunciou mais 125 milhões para apenas oito Misericórdias do Norte, incentivos para fixação de médicos na "periferia", bem como concursos de promoção na carreira médica.

Mas milhares de enfermeiros continuam com um salário abaixo do valor de referência, cerca de 12 mil especialistas não têm qualquer valor salarial que compense as qualificações e a competência diferenciada, e continuam em dívida milhares de horas a mais trabalhadas e incentivos aos enfermeiros que trabalham em USF modelo B.

A greve prossegue na quarta-feira no Alentejo e na quinta-feira ao Algarve, seguindo-se posteriormente mais paralisações na região norte e na região centro.

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