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Turmas de Elite?! Não, Obrigado!

A Escola Pública não ganha nada com este Projeto que é incompatível com o conceito de Educação Libertadora. E como disse Paulo Freire, esse grande Mestre dos Pedagogos, “quando a Educação não é Libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”!

“Não há saber mais ou menos: há saberes diferenciados”
“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo. Os homens educam-se entre si…”
Paulo Freire, Pedagogo e Educador

A pouco e pouco, os madeirenses tomam consciência que este governo regional é, ele mesmo, uma Bagunça que dispara para todos os lados e que, a cada decisão que toma, dá um tiro no pé! Nesta semana, ficamos a saber, pelo DIÁRIO, que o Governo Regional, através da Secretaria Regional da Educação, pretende implementar um projeto-piloto de separação dos alunos em categorias para a formação de turmas em algumas escolas. De acordo com esse projeto, os ‘mais capazes’ ficam nas ‘turmas boas’ e os alunos ‘mais fracos’ ou ‘com maiores dificuldades de aprendizagem’ são atirados para as chamadas ‘turmas más’.

Não sou pedagogo e nem sequer terminei (ainda) a licenciatura em Ciências da Educação, mas julgo poder opinar que este projeto ‘cheira’ a segregação e a discriminação. Pior: transforma a Escola Pública num local de cultivo pelo egoísmo e separa crianças e jovens que, na sua diversidade, fortaleceriam laços e poderiam entreajudar-se num percurso educativo onde todos ganhariam. A Escola Pública, uma das maiores conquistas da nossa Democracia e do 25 de Abril, tem que ser um local de promoção de Valores como os da entreajuda, da partilha de experiências e de conhecimento, de respeito pela diferença e deve ser o baluarte da Inclusão. Onde colocarão os alunos portadores de deficiência?! Criarão guetos?!

Acredito que, em Educação, não existam verdades absolutas e, reconheço que estas opiniões que aqui coloco são discutíveis. Mas elas são, também, fruto da minha experiência profissional. Trabalhei muitos anos com grupos de crianças e jovens com experiências de vida bem complicadas. No entanto, o trabalho com esses jovens, com percursos de vida muito diversificados e com caraterísticas – em alguns casos – muito complexas e difíceis de gerir, foram enriquecedoras, promotoras de inclusão e de ganhos significativos, em termos educativos, para todos eles e para quem com eles privava. Pela minha experiência de Educador e pai, tenho a mais firme convicção que este projeto do Governo é uma aberração e não deve ir em frente.

A Escola Pública não ganha nada com este Projeto que é incompatível com o conceito de Educação Libertadora. E como disse Paulo Freire, esse grande Mestre dos Pedagogos, “quando a Educação não é Libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”!

Sobre o/a autor(a)

Deputado na Assembleia Regional da Madeira
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