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Corbyn desmonta os quatro equívocos mais comuns sobre si e a sua campanha

“Odeio os ricos e sou inelegível? Ouvi várias coisas sobre mim desde que me candidatei à liderança do Partido Trabalhista, e gostaria de esclarecê-las”, refere Jeremy Corbyn neste artigo publicado no The Independent.
Foto publicada na página de facebook de Jeremy Corbyn.

Odeio os ricos e sou inelegível? Ouvi várias coisas sobre mim desde que me candidatei à liderança do Partido Trabalhista, e gostaria de esclarecê-las.

Como tenho viajado por todo o país, tem sido emocionante ver uma nova geração a envolver-se na política, e as pessoas mais velhas a reaproximarem-se. Não faço ataques pessoais e não lhes respondo. Em vez disso, temos de debater política e dar às pessoas a confiança de que podemos vencer. Mas na cobertura da minha campanha até agora, quatro equívocos continuam a reaparecer. Quero abordá-los.

1. "As suas propostas económicas são a negação do défice"

Estava um pouco surpreendido na semana passada por ser acusado de querer gerir "um défice a título perpétuo". Afinal, no meu discurso económico critiquei o Orçamento de George Osborne por não fazer o suficiente. Que governo responsável empenhado em acabar com o défice daria uma redução de impostos aos 4 por cento dos agregados familiares mais ricos através de um corte nos impostos sucessórios?

Mais concretamente, prometi que, se deixar de existir défice até 2020 e a economia estiver a crescer (como prevê Osborne), então o Partido Trabalhista não deve gerir o défice orçamental atual – e sim pedir dinheiro emprestado para investir na nossa prosperidade futura. Longe de negar o défice, devemos enfrentá-lo - mas contesto que devamos combatê-lo cortando os serviços públicos, benefícios e créditos fiscais, ou comprimir os gastos da economia para que o crescimento desacelere.

Mas se ainda existir défice em 2020, então creio que não devemos definir um prazo arbitrário, devemos ter uma estratégia para fazer crescer a economia, aumentar as receitas fiscais, e - se necessário - pedir aos mais afortunados que contribuam um pouco mais. Se alguém está em negação são aqueles que negam a verdadeira crise económica - a crise do aumento da pobreza e do número de sem abrigo, e a queda da produtividade.

2. "Você é inelegível"

Creio que não tenho tido problemas. Fui eleito oito vezes, a última vez com uma elevada taxa de participação, com o mais elevado número de votos com a maior maioria de sempre. Creio que merece uma apreciação favorável.

O Partido Trabalhista tem de se tornar num movimento para ganhar novamente em 2020. Um movimento mobiliza pessoas e a parte do eleitorado com quem mais precisamos de falar é com aqueles que não votaram - 34 por cento na última eleição. É provável que sejam jovens, de uma minoria étnica e da classe trabalhadora, como são as centenas de milhares de pessoas que não estavam sequer registadas para votar. Estas são as pessoas que mais teriam a beneficiar com um governo trabalhista que se levanta contra a discriminação, reduz a desigualdade e a pobreza, cria uma sociedade mais justa para todos.

Se tivéssemos ganho o apoio de apenas um em cada cinco dos que não votaram, então hoje poderíamos ter um governo trabalhista. Penso que uma política honesta, clara, pode reconquistar o apoio do eleitorado que votou nos Conservadores, UKIP, Verdes e SNP.

3. “Ele está contra as empresas e odeia os ricos”

Bem, isso será uma novidade para o meu adorável café local. Eu trabalho com empresas locais no meu círculo eleitoral, incluindo algumas empresas muito promissoras de alta tecnologia. A minha autarquia é um empregador responsável e estende essa condição a todos as empresas subcontratadas – o que é bom para toda a economia, impulsionando o consumo noutros negócios locais.

Mas não estou nada confortável com o facto de algumas pessoas serem podres de ricas, enquanto outras são indigentes. Detesto a desigualdade e a injustiça. Não devemos ignorar a exploração dos trabalhadores, a degradação do nosso meio ambiente - ou a evasão fiscal pelas multinacionais, o que cria uma vantagem injusta sobre as empresas locais. Exigir justiça fiscal é, na verdade, uma campanha pró-negócio moderada: procura a igualdade de condições para todos.

Muitas pessoas mais abastadas com quem falo, em Islington e no resto do país, ficariam contentes por pagar mais impostos para financiar melhores serviços públicos ou para pagar as nossas dívidas. As sondagens corroboram-no: não é menos provável que as pessoas mais avantajadas apoiem impostos mais altos. Uma sociedade mais igualitária é melhor para todos nós. Todos beneficiamos com serviços públicos e quando todos cuidarmos uns dos outros.

4. “Ninguém trabalhará consigo”

Há um longo caminho a percorrer nesta disputa pela liderança, mas – ganhe quem ganhar - não devemos querer um Governo Sombra em que todos têm exatamente os mesmos antecedentes políticos. Precisamos de um partido democrático, que envolva todos os deputados e membros do partido. Além dos membros nomeados do Governo Sombra, cada deputado trabalhista deve ter um papel a desempenhar - trabalhar para ajudar em cada área política do departamento.

Recentemente passei um longo fim de semana em Washington com os deputados conservadores David Davis e Andrew Mitchell, e o meu colega trabalhista Andy Slaughter, fazendo lobby para a libertação de Shaker Aamer de Guantanamo Bay. Eles reconhecem o bem maior em trabalhar juntos, e tenho a certeza que todos os colegas do Partido Trabalhista também reconhecerão. Algumas das coisas ditas no calor da campanha, sem dúvida, serão deixadas lá. Eu não faço ataques pessoais - quero liderar um partido inclusivo e unido. Afinal, quando a poeira assentar ainda seremos todos do Partido Trabalhista.

Tradução de Mariana Carneiro para o Esquerda.net
Artigo publicado em http://www.independent.co.uk/voices/comment/here-are-the-four-most-common-misconceptions-about-me-and-my-campaign--and-the-truth-10443302.html?icn=puff-3
Tradução de Mariana Carneiro para o Esquerda.net

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