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Travessias mataram 2.000 imigrantes este ano no Mediterrâneo, diz OIM

"De acordo com as estatísticas, a rota central do Mediterrâneo é a mais perigosa", declarou a Organização Internacional para as Migrações após análise do primeiro semestre de 2015. Artigo publicado no Opera Mundi.
Foto Giuseppe Lami/EPA/Lusa (arquivo)

Mais de 2.000 imigrantes morreram desde o início do ano na travessia do mar Mediterrâneo, declarou esta terça-feira (04/089) a OMI (Organização Internacional para as Migrações). Desde janeiro deste ano, a entidade calcula que 188 mil pessoas foram resgatadas em operações nessas águas.

"De acordo com as estatísticas, a rota central do Mediterrâneo é a mais perigosa", anunciou a OIM. Segundo o órgão, a Itália e a Grécia registaram um fluxo parecido de imigrantes neste ano, mas 1.930 pessoas morreram ao tentar chegar ao primeiro país e 60 faleceram em destino ao território grego.

Entre janeiro e julho do ano passado, em comparação, 1.607 imigrantes morreram, contra os 3.279 registados em todo o ano de 2014. A maior parte dessas vítimas faleceu ao tentar cruzar o Canal da Sicília, que liga a Itália à Líbia e é considerada uma das principais portas de entrada para a Europa.

“É inaceitável que no século 21 as populações que fogem de conflitos, perseguições e miséria tenham que suportar essa terrível experiência para morrer às portas da Europa", disse o diretor-geral da OIM, William Lacy Swing, à agência de notícias italiana Ansa.

Escalada da crise

No primeiro semestre desse ano, houve uma série graves naufrágios com imigrantes no Mediterrâneo. Em abril, um pesqueiro afundou no Canal da Sicília, na Itália, tornando-se uma das piores tragédias da região, com ao menos 700 mortos.

Face ao desastre humanitário no Mediterrâneo, a Comissão Europeia propôs um plano de ação em dez pontos, que incluía reforçar o controlo e o resgate para responder à situação de crise migratória, mas não tem sido suficiente para conter a crise.

Para a organização internacional MSF (Médicos Sem Fronteiras), a União Europeia está a transformar a região numa verdadeira “fossa clandestina”. “Confrontada com milhares de pessoas desesperadas que fogem de guerras e crises, a Europa tem fechado fronteiras, forçando pessoas em busca de proteção a arriscar as suas vidas e morrer no mar. Não há mais tempo para pensar, essas vidas devem ser salvas agora”, afirmou Loris De Filippi, presidente de MSF na Itália.

Rota da morte

O Mar Mediterrâneo é uma das principais portas de entrada para o continente europeu e também uma das mais perigosas. Diariamente, barcos com imigrantes sofrem naufrágios e acidentes, provocando a morte de dezenas de pessoas.

Há uma série de rotas para se percorrer pelo Mediterrâneo. Uma das mais conhecidas é no Norte da África, pelos enclaves espanhóis de Ceuta e Melila ou pelo Canal da Sicília e pela ilha de Lampedusa, na Itália. Outro caminho tradicional percorre fronteiras de países como Grécia, Turquia e Bulgária.

Na tentativa de chegar a um país mais desenvolvido, morrem pelo menos oito imigrantes por dia, de acordo com o relatório "Viagens letais" divulgado no fim de 2014 pela OIM. A maior parte destes é proveniente da África e do Oriente Médio, com a Síria, Líbia e Eritreia.

Em 2014, duas a cada três mortes em rotas de migração registradas pela OIM ocorreram na região do Mediterrâneo, totalizando 3.279 mortos. Comparativamente, a segunda rota mais perigosa, o Golfo de Bengala, na Ásia, vitimou 540 migrantes. Até abril de 2015, ao menos 1.500 já morerram no trajeto.


Artigo publicado em http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/41234/travessias+mataram+...

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