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Cães, muros e vedações para travar “praga de imigrantes”, propõe David Cameron

No presente ano, as autoridades do Canal da Mancha, que liga o norte da França ao Reino Unido, já detiveram mais de 37 mil imigrantes. Dos 60 milhões de pessoas que estão atualmente deslocadas dentro dos seus países ou refugiadas, 85% encontram-se em países em desenvolvimento.

Depois de enfrentarem a morte na travessia do Mediterrâneo, pelo menos 3.000 pessoas, de países como a Síria, o Sudão e a Eritreia, estão atualmente acampadas em Calais, tentando desesperadamente atravessar o Canal da Mancha, que liga o norte da França ao Reino Unido. Para tal, tentam diariamente entrar de forma furtiva em camiões e comboios.

Nos últimos dias, registaram-se cerca de mil tentativas diárias, sendo que, desde o início de junho, já morreram pelo menos 9 imigrantes.

Apenas no primeiro semestre de 2015, as autoridades do Canal da Mancha já detiveram 37 mil imigrantes, conforme anunciou o grupo Eurotúnel, que administra a ligação ferroviária.

Cameron anuncia medidas para combater “praga de migrantes”

Na passada terça-feira, o ministro do Interior da França, Bernad Cazeneuve, confirmou que o Reino Unido vai investir 7 milhões de libras na construção de um muro de segurança de 1,9 quilómetros no terminal do Eurotúnel em Coquelles, nos arredores de Calais.

Por sua vez, na quinta-feira, numa entrevista à cadeia ITV no Vietname, David Cameron garantiu que ia proteger o país da “praga de imigrantes”. O primeiro-ministro britânico destacou que os migrantes ilegais "não vão encontrar refúgio" no Reino Unido.

Já na sexta-feira de manhã, Cameron referiu que "a situação não é aceitável” e anunciou a colocação de “mais vedações, mais recursos, mais equipas de cães pisteiros".

 Para o partido eurocético thatcherista e anti-imigração UKIP (UK Independence Party - Partido pela independência do Reino Unido) a solução passaria por uma intervenção militar para que os refugiados sejam afugentados.

 Acumulam-se os muros, as vedações e o policiamento

 A construção de muros e de outras infra-estruturas deste género para deter imigrantes não é inédita: a Hungria anunciou esta semana que vai adiantar a construção de uma vala de 175 quilómetros onde elevará um muro de quatro metros de altura ao longo da sua fronteira com a Sérvia. O final da obra, previsto para novembro, está agora calendarizado para agosto.  

 A Bulgária, por sua vez, ergueu um muro ao longo de 30 dos 240 quilómetros da sua fronteira com a Turquia, e anunciou que este ano iria prolongá-lo por mais 82 quilómetros.

 Espanha também foi alvo de críticas por parte das organizações humanitárias face à construção dos muros em Ceuta e Melilla.

 A crise humanitária

 O reforço na segurança tem vindo a agudizar dramaticamente a situação dos imigrantes, que procuram outras formas de chegar ao seu destino, expondo-se ainda mais a todos os tipos de perigo.

 “Em vez de enviar soldados ou erguer cercas, devíamos ocupar-nos desta crise humanitária”, exortou a ONU, reagindo às medidas anunciadas por David Cameron.

 Para Chloe Lorieux, da ONG Médecins du Monde, há uma falta de entendimento dos políticos em relação à situação real das pessoas que estão a tentar atravessar o Canal da Mancha, que são maciçamente refugiadas. “Essas pessoas vêm de Darfur, Eritreia, Afeganistão... Elas estão a fugir de guerras e de ditaduras”, lembrou Lorieux em declarações ao The Guardian.

85% dos refugiados encontram-se em países em desenvolvimento

Sessenta milhões de pessoas estão atualmente deslocadas dentro dos seus países ou refugiadas. Destas, 85% encontram-se em países em desenvolvimento. Conforme lembra o jornal Público, dos mais de quatro milhões de sírios que atravessaram a fronteira para fugirem à fome e à morte, a grande maioria está hoje na Turquia, Jordânia e Líbano. Ao continente europeu chegaram apenas algumas dezenas de milhares, entre as quais se encontram muitos dos 40 mil imigrantes que pediram asilo e ainda aguardam em abrigos sem condições no Sul da Itália e na Grécia para serem recolocados noutros países da União Europeia.

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