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Que é feito do Estado Social?! PàF, já era!

Quando já não tínhamos dúvidas nenhumas sobre a crueldade dos programas que apadrinharam, PSD e CDS chegaram agora ao clímax ao apresentarem propostas para os próximos quatro anos.

Só não estou em estado de choque porque nunca me pareceu que a coligação PSD/CDS defendesse o Estado Social ou que, defendendo-o, afinal tinha era dificuldade em demonstrar essa boa intenção.

O ataque mais despudorado começou com o saque às pensões que não foi mais longe muito pela ação do Tribunal Constitucional (TC). Imagine-se até onde poderiam ter ido se o TC lesse pela mesma cartilha que a coligação! Assim, sempre se safou qualquer coisa.

Outra faceta sinistra do ataque ao Estado Social foi protagonizada pelo ministro Mota Soares (o mesmo que desistiu da lambreta) ao procurar substituir o desemprego e a pobreza com a criação de cantinas (setecentas a certa altura) para distribuição de uma sopa. De que planeta caíram estes dirigentes? Com largas centenas de milhares de quilómetros aos tombos no Universo ficaram com as ideias baralhadas!

Quando já não tínhamos dúvidas nenhumas sobre a crueldade dos programas que apadrinharam, chegaram agora ao clímax ao apresentarem propostas para os próximos quatro anos.

Antes de mais nada, o despautério de nos tentarem convencer que serão os governantes da legislatura que segue. Depois, as medidas. E viva a privatização, vivam os seguros, viva um sistema que chama seus os mais ricos e que abandona os menos favorecidos. Os menos favorecidos outra vez punidos, duplamente. A dobrar porque a regra é que, quem tem menos qualificação, ganha menos e não desconhecemos que, em termos gerais, quem tem menos preparação académica o fica em grande parte a dever a uma condição social menos favorecida, etc. etc. etc. Assim, uma reforma a duas velocidades. Tens um salário menor? Então, fazes os descontos para a segurança social e um dia receberás de acordo com os descontos e esquece a solidariedade transversal ou intergeracional. Pelo contrário, auferes um salário maior? Ah, então vai fazer os teus descontos para a segurança social aí no privado, procura a empresa que te oferecer melhores condições. O mercado regula a oferta (é o mercado a funcionar, como eles gostam de dizer). Do pé para a mão, vem aí a privatização, instala-se a lei da selva, de uma penada cai a máscara. Coloca-se uma pedra sobre um sistema de repartição e instala-se um modelo de capitalização. Para já, com o comentário desabrido “não quer, não quer” a propósito dos acórdãos do TC, promete-se uma trégua sobre as pensões atuais. Apenas se questiona as pensões do futuro próximo. Mas a criatividade não tem limites.

Trata-se de um ataque, sim mas também de uma caça. A caça ao voto partindo do princípio que esta promessa pode assegurar à PàF o voto de muitos pensionistas hoje sob um regime de terror. Mais do que nunca, é bem necessário manter grande atenção e ainda maior solidariedade. O sistema exige uma profunda reforma, muita seriedade e a vida das gerações que se seguem também diz respeito aos pensionistas de hoje.

Sobre o/a autor(a)

Bibliotecária aposentada. Activista do Bloco de Esquerda. Escreve com a grafia anterior ao acordo ortográfico de 1990
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