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FMI só entra no terceiro memorando após restruturação da dívida grega

O Financial Times teve acesso ao resumo da reunião dos dirigentes do FMI desta quarta-feira. O Fundo só vai tomar a decisão de participar no programa em negociações quando os países da zona euro se puderem de acordo sobre o alívio da dívida grega.
Christine Lagarde. Foto FMI/Flickr

A decisão não foi do agrado do representante alemão na direção do Fundo, que defendeu a presença do fundo em paralelo com as negociações. Para convencer o parlamento alemão a aprovar o empréstimo de 86 mil milhões de euros, o governo de Berlim sempre garantiu a presença do Fundo no terceiro memorando.

Mas os dirigentes do FMI acordaram apenas em “participar nas discussões” que decorrerão nas próximas semanas em Atenas para assegurar que o novo memorando “é consistente com as orientações do Fundo”.

O aparente recuo do FMI em participar no acordo de financiamento saído de Bruxelas veio lembrar as célebres declarações de Varoufakis a uma plateia de investidores britânicos, onde apresentou o seu plano B. O ex-ministro das Finanças também disse na altura que “o Dr. Schäuble e o FMI têm um interesse comum: não querem que este acordo avance”.

Varoufakis lembrou ainda que “de acordo com as suas próprias regras, o FMI não pode participar num novo resgate. Quer dizer, eles já violaram essas regras duas vezes, mas não creio que haja uma terceira vez”.

De facto, as regras do FMI para o acesso a financiamento deste tipo são claras e a reunião de quarta-feira confirmou que a Grécia não cumpre dois dos quatro requisitos exigidos pelo Fundo: ter capacidade política e institucional para implementar as reformas económicas prescritas pelo FMI, que Atenas recusa contrapondo o seu efeito recessivo, e ter uma dívida pública sustentável a médio prazo, cuja impossibilidade é hoje unânime.

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