You are here

“Quando se quer vender o país, PS, PSD e CDS estão juntos nas privatizações”

“Quando o país vê a divida a aumentar, é bom lembrar que todos os tratados europeus que põem Portugal nesta situação” foram assinados por estes partidos, lembrou ainda Catarina Martins. A cabeça de lista por Setúbal, Joana Mortágua, sublinhou a necessidade de “construir um futuro em que os povos não sejam escravos de dívidas”.

"A coligação PSD/CDS faz tudo para falar do antes. Antes de ter chegado ao Governo, estava uma desgraça, foi tudo feito por causa do antes. Bem, esquecem-se que o antes teve muitos anos de alternância, teve muitas culpas repartidas. Esquecem-se até que o antes teve, por exemplo, o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, a fazer PPP (Parcerias Público-privadas) do lado dos privados, ou a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, que agora até é cabeça de lista por Setúbal, a fazer `SWAPs´ (contratos em que há uma troca de uma taxa de juro variável por uma taxa de juro fixa) para as empresas públicas", afirmou Catarina Martins durante a apresentação da lista de candidatos e candidatas pelo distrito de Setúbal às eleições legislativas de 2015.

“No antes estiveram todos juntos, não há aqui inocentes”, acrescentou.

Segundo Catarina Martins, “o governo PSD/CDS não pode falar do `antes´ como se não tivesse lá estado. Quando as privatizações tiraram poder ao país de decidir sobre setores estratégicos” - como aconteceu com a EDP, os CTT, a ANA – “PS, PSD e CDS estiveram todos juntos nas privatizações”.

"Quando se quer vender os País, estão todos juntos nas privatizações" disse, repartindo as culpas pela atual situação do país pelos “partidos do centrão”.

“Quando o país vê a divida a aumentar, é bom lembrar que todos os tratados europeus que põem Portugal nesta situação foram assinados por PSD, CDS-PP e Partido Socialista. Os três estiveram a decidir esta sangria do país”, vincou.

Para a porta-voz do Bloco de Esquerda, "Setúbal tem a vida facilitada”.

“Acho que entre a lista encabeçada pela miss SWAP (Maria Luís Albuquerque, da coligação PSD/CDS) ou a lista encabeçada pela Joana Mortágua (BE), não vão ter muitas dificuldades em escolher", disse a dirigente bloquista.

“Construir um futuro em que os povos não sejam escravos de dívidas”

A cabeça de lista por Setúbal, Joana Mortágua, sublinhou que “há qualquer coisa de extraordinário” que junta os e as candidatos e candidatas que compõem a lista do distrito: “um projeto de sociedade que o Bloco defende pelo qual cada deputado, cada candidato, cada militante dá a cara todos os dias”.

“Essa ideia louca de construir um futuro em que os povos não sejam escravos de dívidas” e “nem escravos de pactos assinados nas suas costas, como o Tratado Orçamental, assinado por PSD, CDS e PS contra todos nós”, adiantou a candidata.

“Essa ideia louca das verdadeiras escolhas, da democracia”, acrescentou.

Lembrando que “PSD mete um outdoor nas ruas a dizer ‘O rumo certo’, quando nós sabemos que o rumo deles é destruir o país, e PS opta por um outdoor onde se lê ‘Por mais emprego’, quando o seu programa defende a liberalização dos despedimentos”, Joana Mortágua defendeu que é preciso travar este carrossel gigante contínuo de PS e PSD “que é sempre feito contra nós e contra os nossos direitos”.

“À senhora Merkel qualquer um deles [Passos Coelho ou António Costa] serve para governar esta colónia em que ela quer transformar este país”, assinalou, destacando que “nós não estamos condenados a escolher entre quem quer vender o que é de todos por um bocadinho mais e quem quer vender o que é de todos por um bocadinho menos”.

“Não é possível desenvolver o país obedecendo às regras da Europa germanófila”

O mandatário da candidatura, o historiador Fernando Rosas, antigo deputado do Bloco também por Setúbal, fez um balanço arrasador da governação PSD/CDS dos últimos quatro anos.

"Esse balanço é uma queda do PIB [Produto Interno Bruto] de 6 por cento, é a liquidação de cerca de 300 mil postos de trabalho, é o corte real e nominal dos salários, é o corte das pensões, é o empobrecimento dos mais pobres e das classes médias com os cortes do complementos para os idosos, é o corte dos subsídios de desemprego, do subsídio de doença, as taxas moderadoras, os abonos de família", disse Fernando Rosas, que também não poupou críticas ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

"Como é que este primeiro-ministro tem a lata, e o desplante, perante os portugueses, na televisão, de dizer que os mais pobres não foram prejudicados, quando foram as vítimas de eleição deste Governo, de sugar até à medula o trabalho e o sangue dos portugueses", questionou.

Para Fernando Rosas, é preciso "lutar contra essa ilusão sinistra de que é possível fazer crescer e desenvolver o país, obedecendo às regras da Europa germanófila, obedecendo às regras que nos mandam não crescer, obedecendo ao Tratado Orçamental Europeu, obedecendo aos ditames que mandam que não se mexa na dívida".

"[Temos de] combater essa ilusão sinistra de que rastejando perante a Europa nós podemos chegar a algum lado. Temos de combater essa política com propostas, com alternativas, com um programa", rematou.

Não aceitamos “a chantagem do medo e da falta de alternativa"

A segunda candidata por Setúbal, Sandra Cunha, sublinhou que os bloquistas se candidatam porque não aceitam “a chantagem do medo e da falta de alternativa”.

 “Candidatamo-nos porque sabemos que há alternativa. É a de trazer à responsabilidade os verdadeiros culpados da crise e é a de ir buscar o dinheiro onde ele está. Aos que andaram a especular e a jogar com dinheiro que não tinham e não era seu...e que perderam!”, avançou.

 “Candidatamo-nos porque sabemos que há alternativa. É a de dizer Não! Basta! A alternativa é a de colocar as pessoas em 1º lugar, à frente dos interesses financeiros e pessoais”, rematou.

A iniciativa contou ainda com as intervenções dos candidatos Luís Cordeiro e Fernando Sequeira e a música de Francisco Fanhais e de Amélia Muge, que declararam o seu apoio à candidatura bloquista.

Termos relacionados Política
Comentários (1)