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Stiglitz: “Partidos de centro-esquerda acobardaram-se e submetem-se à Alemanha”

Para o Prémio Nobel da Economia não é surpreendente que uma figura anti-austeridade, como Jeremy Corbyn, surja como sério concorrente à liderança do Partido Trabalhista britânico. "Fora da Alemanha a ideia de que a austeridade é prejudicial está muito disseminada. Acho que é a visão correta, entende".
As pessoas irão lutar contra as políticas de austeridade, entende o Prémio Nobel.

“Não estou surpreendido de todo que exista uma reivindicação por um forte movimento anti-austeridade em torno do aumento das preocupações com a desigualdade. As promessas do New Labour no Reino Unido e dos Clintonites nos EUA têm sido uma deceção”, afirmou o ex-economista do Banco Mundial e professor na Universidade da Columbia nos EUA.

Joseph Stiglitz entende ser natural que os jovens sejam os defensores mais prováveis da candidatura de Jeremy Corbyn à liderança do Labour por se sentirem mal e estarem desiludidos com a política mainstream.

“Infelizmente, os partidos de centro-esquerda acobardaram-se. Juntaram-se a dizer: Ah, sim, nós temos que ter uma versão mais amável da austeridade, uma versão mais suave da austeridade. Mas uma das desilusões da zona euro, e da Europa de forma mais ampla, é que tens estas eleições, estes partidos de centro-esquerda a serem eleitos e a submeter-se perante a Alemanha e depois fazem uma retórica que é mais suave, mas o resultado não é muito mais suave”.

Stigliz citou um estudo que demonstra que nos EUA todos os ganhos económicos desde os inícios da década de 1980 foram para os 10% mais ricos. “A parte inferior dos 90% da economia tem visto estagnação há já um terço de século”.  

“É apenas muito difícil de dizer que estes partidos de centro-esquerda – com ênfase no “centro” – tenham vindo a servir para a maioria das pessoas. Os seus modelos económicos não têm servido e a sua mensagem não está a funcionar. Então, para mim não é surpreendente que se veja, digamos, nos Estados Unidos que, obviamente conheço melhor, os progressistas [anti-austeridade] estejam a ganhar uma voz muito mais forte no Partido Democrata”.  

Stiglitz argumentou que a crise desencadeada na zona euro, por aquilo que considera ser uma política errada de bullying sobre a Grécia, para que esta aceitasse um acordo que apenas oferece “depressão sem fim”, corre o risco de alimentar o sentimento anti-UE no vindouro referendo britânico sobre a manutenção na União Europeia.  

“O Reino Unido tomou uma boa decisão [que] foi não aderir ao euro. Pode tê-lo feito pela razão errada, mas ainda assim foi a escolha acertada”, afirmou numa iniciativa organizada pelos seus editores em Londres.  

Para Stiglitz o modelo monetário global da zona euro não foi um sucesso e não se consegue lembrar de alguma coisa que tenha sido mais divisionista para a União Europeia do que a forma como foi gerida a crise da dívida grega.

Segundo o economista, a melhor maneira de salvar o projeto político europeu é “permitir que o euro se vá… Não só foi evidente a falta de solidariedade, como não existiu sequer um mal-entendido sobre o que é solidariedade. Não se pode ter um grupo de países com os mesmos mecanismos económicos sem algum grau de solidariedade”.  

O mais recente acordo sobre a dívida grega e as políticas de austeridade impostas à Grécia pelos líderes europeus e o FMI estão fadados ao fracasso, entende.

“Fora da Alemanha a ideia de que a austeridade é prejudicial está muito disseminada. Acho que é a visão correta. Obviamente, irá dar origem a um sentimento mais forte, com as pessoas a dizer de que é necessário lutar contra a austeridade”. 

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