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“Programa eleitoral do governo é manter a política da troika”

Catarina Martins voltou a criticar este sábado o “número de propaganda inaceitável” do governo com a sobretaxa do IRS. No acampamento Liberdade 2015, a porta-voz do Bloco defendeu que “a única forma deste país ter gente é ter emprego e salários com dignidade”.
Foto Paulete Matos.

A porta-voz bloquista esteve no acampamento de verão dos jovens do Bloco de Esquerda e respondeu às promessas de Passos Coelho sobre políticas para fixar os jovens em Portugal. “O governo passou quatro anos a mandar pessoas emigrar, foram quatro anos do país a perder um dos seus mais valiosos recursos: as suas pessoas. Não nos enganemos: a única forma deste país ter gente é ter emprego e salários com dignidade”, defendeu Catarina Martins.

“No nosso país a cada mês que passa, dez mil pessoas optam por emigrar. A cada dia que passa, 220 postos de trabalho são destruídos, a cada hora que passa a dívida pública aumenta um milhão e meio de euros. É por esta realidade que o governo vai ser julgado, prosseguiu a porta-voz do Bloco.

Para Catarina Martins, “o programa eleitoral do governo é manter a política da troika”, tal como se comprometeu em Bruxelas, ainda recentemente, com a promessa de cortar 600 milhões nas pensões. “Passos Coelho disse que a reforma que lhe falta fazer é baixar ainda mais os custos do trabalho. É um governo que continua a convidar as pessoas a sair do país. Do que precisamos do avesso: de mandar embora este governo para que as pessoas possam voltar ao nosso país”, desafiou.

Questionada sobre a promessa de devolução parcial da sobretaxa do IRS, Catarina Martins acusou o governo de estar a “usar o aparelho de Estado para um número de propaganda”, que consiste em “prometer aquilo que talvez vá fazer quando já não for governo” e com base “em números que não existem”. A criação de um “simulador” da hipotética devolução da sobretaxa no portal das Finanças, quando os números que servirão de base ao cálculo só vão ser conhecidos no fim do ano, não passam de um “número de propaganda inaceitável”, concluiu.

Banco de Fomento até agora só serviu para “pagamento de favores”

Catarina Martins também comentou os números do crédito à habitação e ao consumo, que este ano dispararam até maio, comparando-os com a falta de crédito às empresas que tem impedido a criação de emprego. Neste aspeto, a porta-voz bloquista criticou o processo de criação do Banco de Fomento que “há dois anos o governo anda a tentar criar”.

“Desse novo banco, o que se conhece é um Conselho de Administração que é pago acima do ordenado de um primeiro-ministro em Portugal, onde está Estela Barbot, que esteve no FMI a defender o governo, estão dirigentes do CDS… É um Conselho de Administração de pagamento de favores, que está a receber salários altíssimos de um Banco de Fomento que nunca pôs um cêntimo na economia portuguesa”, sublinhou a porta-voz do Bloco.

Catarina Martins recusou-se a comentar a decisão da justiça em colocar Ricardo Salgado em prisão domiciliária, mas defendeu que o país precisa “de regras muito mais apertadas sobre o sistema financeiro” e “que o dinheiro dos contribuintes não continue a servir para salvar a banca”.

“Precisamos de não ter um Estado cuja dívida pública vai aumentando a cada dia porque está sempre a salvar bancos privados e a ficar com os custos dos diversos estouros do sistema financeiro. E precisamos, claro, de uma justiça que atue muito mais depressa e de uma forma muito mais eficaz”, concluiu. 

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