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“Governo criou simulador de números que não existem“

Num comício de apresentação de listas às legislativas em Viseu, Catarina Martins criticou a propaganda do PSD e do CDS com a suposta devolução de uma pequena parte da sobretaxa de IRS. A UTAO já avisou que as contas do governo podem sair furadas.
Foto Paulo Novais/Lusa

Esta propaganda dos partidos do Governo que criaram a sobretaxa do IRS, penalizando nos últimos anos os rendimentos de quem trabalha, assemelha-se ao comportamento de “um carteirista que, tendo roubado uma carteira com 100 euros, nos promete agora devolver 70 cêntimos, se lhe agradecermos, ou seja, se votarmos nele”.

“E, mesmo esses 70 cêntimos que nos vai mostrando, não são dele, mas das empresas a quem não devolveu o IVA a tempo", afirmou Catarina Martins, recordando o relatório da Unidade Técnica de Apoio Orçamental a alertar para os atrasos burocráticos nos reembolsos do IVA nos primeiros meses do ano, que levaram ao aumento não previsto da receita do Estado, Trata-se de uma situação que deverá ser corrigida até ao fim do ano, à medida que o Estado pague o que deve às empresas. Nesse cenário, o aumento da receita seria neutralizado e a suposta devolução esfumar-se-ia… mas já depois das eleições do início de Outubro, quando as pessoas ainda tinham a ilusão de poder vir a receber alguns euros de volta.

Para já, o governo convida os contribuintes a imaginarem a devolução em 2016 de parte da sobretaxa que pagam este ano, com base em números que não são uma realidade. “Não há simulação nenhuma sobre números que não existem: é um assalto e um assalto para propaganda!”, acusou Catarina Martins.

Para a porta-voz do Bloco, a razão para o saldo primário orçamental ter melhorado um pouco e o saldo das contas públicas ter piorado é simples: "Isto quer dizer que pagamos impostos como nunca, para ter menos educação do que nunca ou menos saúde do que nunca, porque mais dinheiro do que nunca está a ir para pagar a dívida pública”.

"É péssimo que todo o nosso esforço vá, cada vez mais, para os especuladores da dívida pública: para quem aposta na falência do nosso Estado", concluiu Catarina Martins numa sessão que contou com a intervenção de António Gil, o independente que encabeça a lista do Bloco em Viseu.

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