You are here

Governo vende CP Carga e ameaça com despedimentos na EMEF

O governo anunciou a escolha da MSC Rail como vencedor da privatização da CP Carga. A venda da EMEF foi interrompida por causa da queixa da Bombardier á Comissão Europeia e Sérgio Monteiro diz que a empresa irá agora sofrer “um ajustamento forte do ponto de vista do pessoal". Os trabalhadores não desistem de travar a privatização.
Sérgio Monteiro anuncia privatização no dia seguinte à marcação de eleições. Foto Manuel de Almeida/Lusa

O secretário de Estado dos Transportes revelou a intenção do governo de entregar a CP Carga à MSC Rail, que ofereceu dois milhões de euros pela empresa, comprometendo-se a capitalizá-la com 51 milhões. Em troca vai receber 110 milhões em vagões e locomotivas e mais 16 milhões em aluguer de locomotivas.

Este negócio, divulgado no dia seguinte à marcação de eleições, fica ainda dependente de pareceres que deverão chegar em agosto, como o da Autoridade para a Concorrência.

Na mesma conferência de imprensa, Sérgio Monteiro anunciou também que a privatização da EMEF não irá avançar, devido “aos riscos associados ao prosseguimento desta operação”, nomeadamente a queixa da Bombardier a Comissão Europeia por causa de ajudas do Estado à empresa. Sérgio Monteiro acusa a Bombardier de querer “eliminar um concorrente”.

O governante diz que dará "orientações à CP para tomar todas as diligências de defesa da posição da EMEF e garantir que uma reestruturação profunda da EMEF possa dar um caminho de continuação da sua atividade em moldes que não levante quaisquer questões relativamente a esse auxílio, que tenha gerações de proveitos para a cobertura dos seus custos". E que o resultado dessas orientações será “um ajustamento forte do ponto de vista do pessoal”.

Fectrans: "Não é hora de baixar braços, antes pelo contrário, é hora de unir, mobilizar e lutar"

Reagindo ao anúncio da privatização, a Fectrans diz que ele deve ser “motivo de estimulo de reforço da luta dos ferroviários, porque o Governo continuará na sua senda de destruição da ferrovia, até ao último minuto do seu mandato”.

“Na CP – Carga o anúncio da entrega à MSC é, para já, apenas o anúncio de uma intenção que ainda pode ser revertida e, para isso, não é hora de baixar braços, antes pelo contrário, é hora de unir, mobilizar e lutar”, diz a federação dos sindicatos dos trabalhadores dos transportes.

Quanto à paragem no processo da EMEF, a Fectrans diz que “ela pode ser insuficiente se não forem tomadas medidas que possibilitem que esta empresa desempenhe o seu importante papel no sector ferroviário e, para isso é preciso continuar a lutar contra o encerramento de oficinas, pela reposição dos trabalhadores necessários, pela dotação dos meios técnicos, humanos e financeiros necessários e que se acabe com os constrangimentos existentes“.

Termos relacionados Política
(...)