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Incêndios florestais: Prevenção, prevenção e mais prevenção

Ano após ano se demonstra uma incapacidade dos decisores políticos de adoptarem políticas integradas de prevenção dos incêndios florestais, de concretizar medidas que vão de encontro aos problemas estruturais da floresta e não aos sintomas.

O número de incêndios florestais e a área ardida registados entre 1 de Janeiro e 15 de Julho estão acima da média dos últimos dez anos, segundo o relatório do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

O documento indica que, nos últimos dez anos, apenas em 2005 (56835 hectares) e 2012 (37715 hectares) houve mais área ardida. “Comparando os valores do ano de 2015 com o histórico dos últimos dez anos (2005-2014), destaca-se que se registaram mais 12% de ocorrência relativamente à média verificada no decénio 2005-2014 e que ardeu mais 29% do que o valor médio de área ardida nesse período”.

Desde os fatídicos incêndios do Verão de 2005, Portugal fez um esforço enorme em termos de alterações legislativas importantes, mas os efeitos da prevenção estrutural continuam ainda por se fazer sentir apesar das afirmações anualmente produzidas por variadíssimos decisores.

Ano após ano se demonstra uma incapacidade dos decisores políticos de adoptarem políticas integradas de prevenção dos incêndios florestais, de concretizar medidas que vão de encontro aos problemas estruturais da floresta e não aos sintomas.

Continua o desequilíbrio da balança do Combate vs. Prevenção dos incêndios no que toca as intervenções na floresta, representando somente cerca de um quarto do orçamento total destinado aos incêndios florestais e metade do valor destinado para o combate com meios aéreos.

Os meios de combate directo são ineficazes quando a propagação está estabilizada, em terreno difícil e com meteorologia adversa. Só controlamos os incêndios se diminuirmos o número de ignições e gerirmos os combustíveis.

O Bloco de Esquerda propôs no seu Manifesto Eleitoral que o financiamento da componente de prevenção seja superior à do combate e isso se faz com melhor ordenamento florestal, com mais e melhor gestão florestal e com o reforço das equipas de sapadores florestais, caso contrário os eventos meteorológicos extremos continuarão a comandar a protecção da floresta.

Mais uma vez, a solução para o problema está descrita, mas este Governo espera que com a mesma receita, melhores resultados.

Prevenção, prevenção e mais prevenção … isso sim faz falta.

Sobre o/a autor(a)

Engenheira Florestal, bolseira de investigação. Escreve com a grafia anterior ao acordo ortográfico de 1990
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