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Negócio PT/Vivo sob investigação em Portugal

A justiça portuguesa investiga suspeitas de benefícios indevidos a gestores e governantes na venda das ações detidas pela PT na operadora brasileira Vivo à Telefónica, em troca da entrada no capital da Oi. O rasto das investigações brasileiras dos casos Mensalão e Lava Jato conduz a Portugal.
Foto Mário Cruz/Lusa

Segundo o jornal Público, o Ministério Público diz que as investigações se encontram em segredo de justiça. No centro das atenções estarão as comissões pagas aos decisores de um negócio de 7500 milhões de euros e no qual interveio um dos personagens centrais do tráfico de influências do caso Mensalão, o antigo braço direito de Lula da Silva, José Dirceu.

Através das sociedades de advogados e consultores que controlava, Dirceu abriu as portas do negócio com a espanhola Telefonica, os acionistas da Oi e da PT e o governo português. José Sócrates foi um adversário da venda das ações da PT à Telefonica, chegando a vetar o negócio em nome dos interesses estratégicos portugueses, através da golden share que o Estado detinha na empresa.

Mas a reconfiguração do negócio, passando a PT a manter presença no Brasil através da Oi, viria a viabilizar a venda das ações. Henrique Granadeiro anunciou-a como “a maior operação financeira da história de Portugal”: a venda da Vivo à Telefónica por 7,5 mil milhões e a aquisição, em simultâneo, de uma participação de 22,4% do capital da Oi por 3,7 mil milhões. A justiça portuguesa investiga agora se terá havido pagamento de comissões indevidas neste negócio.

No seu depoimento no caso “mensalão”, o principal acusado referiu os nomes de Ricardo Salgado, António Mexia e Miguel Horta e Costa (antigo presidente da empresa e vice-presidente do BESI) como colaboradores da rede de financiamento do PT no Brasil entre 2002 e 2006. Os três foram arrolados como testemunhas de defesa de Dirceu nesse julgamento.

O maior acionista da OI, a construtora Andrade Gutierrez, está também envolvida no escândalo das comissões em negócios com a petrolífera braileira Petrobras, e o seu presidente Otávio Marques Azevedo, que já foi administrador da PT, foi detido neste processo conhecido por “Lava Jato”. Uma das consultoras de José Dirceu aparece na lista de pagamentos da construtora.

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