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Académicos irlandeses solidários com povo grego

Numa carta aberta publicada esta segunda-feira no The Irish Times, cerca de uma centena de académicos irlandeses referem que “a 'recuperação' irlandesa tem sido parcial, desigual e, em muitos aspectos, ilusória”, defendendo que a mesma “não constitui, de forma alguma, um modelo a seguir para a Grécia ou para qualquer outro lugar”.
Foto de William Murphy, Flickr.

“O governo irlandês alega frequentemente que a Grécia deveria seguir o exemplo da Irlanda: tomar o seu medicamento 'austeridade' e depois “recuperar”. Como académicos na Irlanda, sabemos que esta é uma afirmação profundamente errada”, avançam.

Para fundamentar a sua opinião, os académicos irlandeses lembram que “a Irlanda é uma economia muito mais aberta do que a Grécia”, sendo que “os recentes aumentos no PIB irlandês são em grande parte baseados em exportações de produtos como os farmacêuticos, para os quais a procura internacional permanece estável”.

“A estrutura mais fechada da economia grega faz com que seja impossível replicá-lo”, sublinham.

Por outro lado, destacam que os benefícios do crescimento crescimento irlandês não se estenderam à grande maioria da população irlandesa.

“Sim, o desemprego caiu, mas a emigração líquida excedeu essa queda. Além disso, uma proporção cada vez maior dos empregos é a part-time, precária e até não remunerada. O salário médio continua a cair: estima-se que um em cada trabalhador não ganhe o suficiente para se sustentar. A percentagem de crianças em situação de pobreza extrema e persistente duplicou entre 2008 e 2013, para 12%”, destacam.

“Tanto os trabalhadores como os não-trabalhadores têm sofrido com o aumento dos impostos (incluindo a nova tributação sobre os imóveis e a água) e cortes nos apoios sociais: o último corte é uma redução num subsídio para muitas famílias monoparentais, um grupo que já sofre de privação extrema”, acrescentam ainda.

Segundo os cerca de cem académicos irlandeses, “o argumento de que este "progresso" foi favorecido por uma reestruturação negociada da dívida irlandesa é falso: o acordo de 2013 sobre a dívida relacionada com as notas promissórias transformou uma dívida suave (e cancelável) em dívida soberana - a ser paga na íntegra até 2053”.

“Em resumo”, vincam que “a 'recuperação' irlandesa tem sido parcial, desigual e, em muitos aspectos, ilusória. Não constitui, de forma alguma, um modelo a seguir para a Grécia ou para qualquer outro lugar”.

“Em vez disso, solidarizamos-nos com o povo grego, que luta pela a recuperação económica efectiva para todos, com base na reestruturação da dívida ilegítima”, rematam.

A carta aberta pode ser lida em http://www.irishtimes.com/opinion/letters/ireland-and-greece-1.2280724

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