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“A primeira medida de que o país precisa é ter salários dignos”

A porta-voz do Bloco disse em Espinho que “há um problema de salários em Portugal”, mas ao contrário do que diz Passos Coelho não é de serem altos, mas de “serem baixos”. Sobre a Grécia, Catarina Martins defendeu a solidariedade com o povo grego e afirmou que “se a austeridade é a moeda única da União Europeia essa moeda única não serve”.
“A verdade em Portugal é que o salário não chega e eu lembro que Passos Coelho ganhou as eleições há quatro anos dizendo que nunca ia cortar nos salários", afirmou Catarina Martins em Espinho

Catarina Martins participou neste sábado numa arruada do Bloco de Esquerda em Espinho, juntamente com Moisés Ferreira, primeiro candidato do Bloco no distrito de Aveiro.

À comunicação social, a porta-voz do Bloco criticou as declarações de Passos Coelho de que Portugal tem um problema de salários altos e que é preciso de mudar a Constituição para o resolver. Respondeu ainda a perguntas da comunicação social sobre as negociações da Grécia com as instituições europeias.

Há um problema de salários graves em Portugal sim, não é de serem altos é de serem baixos”

“A verdade em Portugal é que o salário não chega e eu lembro que Passos Coelho ganhou as eleições há quatro anos dizendo que nunca ia cortar nos salários, que ia cortar na despesa fazendo a reforma do Estado. Passados 4 anos, vem dizer que o que precisa de fazer é uma revisão constitucional para cortar salários e isso é fazer pouco das pessoas cujo salário é tão curto que não chega ao fim do mês”, sublinhou a porta-voz do Bloco.

“Há um problema de salários graves em Portugal sim, não é de serem altos é de serem baixos. A primeira medida de que o país precisa é proteger os salários, é ter salários dignos para que as pessoas possam viver até ao fim do mês com dignidade e para que com isso também a economia possa viver e acabar com o ciclo infernal das insolvências e do desemprego”, afirmou Catarina Martins.

Questionada sobre se estaríamos pior se não existisse esta Constituição, a deputada declarou que “graças à Constituição da República Portuguesa e graças à oposição, que sempre que foi preciso recorreu ao Tribunal Constitucional para parar o assalto a quem trabalha, Portugal não ficou tão mal como poderia ter ficado se Pedro Passos Coelho e Paulo Portas cortassem em tudo o que queriam”.

“Foi preciso pará-los quando eles quiseram cortar no subsídio de desemprego, quando quiseram cortar no subsídio de doença, quando quiseram cortar mais nos salários mais baixos, quando quiseram cortar mais nas pensões mais baixas e mesmo assim cortaram tanto”, lembrou a deputada.

Catarina Martins salientou que “a Constituição não é a resposta a tudo o que o país precisa, mas pelo menos sabemos que a Constituição em Portugal serve para defender quem está mais frágil e agora o que é preciso é uma política para defender o país e para criar condições de vida com salário digno”.

Há uma chantagem imensa protagonizada pelo ministro das Finanças alemão, que está interessado em expulsar a Grécia do euro”

Questionada sobre a Grécia e as afirmações de Passos Coelho de que a Grécia tem que “se comprometer” porque “não podemos correr o risco de daqui a 6 meses estarmos exatamente a passar outra vez pelo mesmo”, a porta-voz do Bloco referiu que “não sabemos o que vai acontecer no final deste fim de semana”, que “vivemos um momento de todas as escolhas e de todas as decisões” e denunciou a “chantagem enorme das instituições e do BCE”.

“Há uma chantagem imensa feita pelas instituições, feita pelo BCE, protagonizada pelo ministro das Finanças alemão, que está interessado em expulsar a Grécia do euro, e sob essa chantagem o governo e o parlamento grego aprovaram uma proposta aos credores que tendo medidas que não foram as que defenderam, como já o disseram claramente, conseguem melhor do que aquilo que lhes tinham prometido”, disse a porta-voz do Bloco.

Catarina Martins apontou três razões fundamentais para conseguirem melhor do que lhes tinham proposto.

“A primeira é porque põem em cima da mesa investimento público depois de durante seis anos de austeridade não ter existido um tostão de investimento na Grécia”, afirmou a deputada.

“A segunda é que hoje na Europa o debate sobre reestruturação das dívidas está em cima da mesa e esse é o debate essencial, porque as dívidas públicas são a bomba relógio que está por cima dos países periféricos da Europa, nomeadamente sobre Portugal, e que pode fazer com que a nossa vida sem ainda pior nos próximos anos”, sublinhou.

“A terceira, é que pela primeira vez se discute na Europa e não há uma voz única vemos governos europeus a defenderem coisas diferentes. Uma Europa em que o desemprego jovem cresce é certamente mais défice e o maior drama para o futuro será uma Europa em desagregação”, apontou Catarina Martins.

A porta-voz acusou então o governo português de estar a trabalhar contra o nosso país, quando se põe ao lado dos que querem que a Grécia saia do euro.

Lembrando a crise do subprime, “que tinha um impacto em Portugal muito reduzido comparada a uma crise no euro”, Catarina Martins afirmou que “19 menos um no euro não vão ser 18, vão ser zero” e que “Portugal vai ser o país que mais depressa e em mais força terá as consequências de uma recessão económica que isso pode provocar”.

A terminar, a porta-voz do Bloco considerou que “a luta tem de ser pela solidariedade” e afirmou: “Se a austeridade é a moeda única da União Europeia essa moeda única não serve.

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