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“Não aceitamos que vendam Portugal”

Catarina Martins denuncia que o governo está “a desbaratar o país ao vendê-lo por meio pataco”. Sobre as negociações da Grécia com o eurogrupo, a porta-voz do Bloco acusou o ministro das Finanças alemão, Schäuble de “fanatismo” ao querer “criar o caos” com a expulsão da Grécia do euro.
Catarina Martins acusou o ministro das Finanças alemão, Schäuble de “fanatismo” ao querer “criar o caos” com a expulsão da Grécia do euro - Foto de Paulete Matos

Colocar a reestruturação da dívida no centro da política”

Realizou-se nesta sexta-feira, em Santa Maria da Feira, o primeiro comício de Verão do Bloco de Esquerda, no qual intervieram Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda, Moisés Ferreira, primeiro candidato do Bloco no distrito de Aveiro, e Nelson Peralta.

Falando sobre as negociações entre a Grécia e a UE, a porta-voz do Bloco disse que “este é o fim-de-semana de todas as decisões” e afirmou: “O acordo que está em cima da mesa não é seguramente aquele de que a Grécia precisa nem aquilo que temos defendido - é [antes] o resultado da chantagem brutal que está a ser feita sobre o povo grego -, mas a forma como este tem lutado colocou já no centro da política a necessidade de reestruturação da dívida pública e essa é já uma vitória”.

“O fanatismo tem talvez hoje um símbolo maior - o ministro das Finanças [da Alemanha] Schäuble, que está interessado em empurrar um país da zona euro para fora do euro, só para dar uma lição a quem quer que tenha alguma alternativa à austeridade”, acusou Catarina Martins.

A porta-voz do Bloco salientou que Wolfgang Schäuble, com as suas declarações, vem demonstrando que “está disposto a criar uma recessão gigantesca ainda maior na zona euro, a fragilizar a moeda e a criar o caos para que ninguém se atreva nunca a levantar a cabeça diante da Alemanha e a dizer que não quer a austeridade”.

“Hoje fala-se de reestruturação da dívida e isso é já uma conquista”, destacou a porta-voz do Bloco defendendo que é preciso “colocar a reestruturação da dívida no centro da política da Europa e investimento público para criar emprego”.

Criar emprego e ter salários dignos”

Sobre a situação em Portugal, Catarina Martins denunciou o “retrocesso de 25 anos no que diz respeito ao poder de compra” e o “retrocesso de 40 anos nos direitos do trabalho, salientando que “a precariedade e o medo passou a ser regra no posto de trabalho”.

“Criar emprego e ter salários dignos” é a proposta central do Bloco sublinhou a porta-voz do Bloco, que criticou o Governo PSD/CDS por estar “a desbaratar o país a vendê-lo por meio pataco” e salientando que “é muito importante que, enquanto cada uma dessas privatizações não acontece, não baixaremos o braços”, “que possamos estar a denunciar cada um dos negócios que destrói o país. Cada uma das formas promíscuas com que o interesse público está a ser passado para umas poucas mãos privadas e exigirmos, de todas as formas que pudermos, o respeito por aquilo que foi criado por anos de trabalho, por anos de investimento público”.

Sublinhando que “um país não está à venda”, Catarina Martins afirmou: “Nós não aceitamos que vendam Portugal”.

A terminar, a porta-voz do Bloco afirmou: “Com os deputados e as deputadas do Bloco de Esquerda, há sempre uma certeza: nunca baixamos os braços e nunca baixamos a cabeça para servir nenhum grande interesse económico. Aqui estamos para fazer a diferença!”

Alternativa que defenda o trabalho e os serviços públicos”

Moisés Ferreira falou dos trabalhadores “fortemente atacados”, denunciou que “o tempo de campanha eleitoral é o tempo de todas as mentiras para PSD, CDS e PS” e defendeu que “é tempo das pessoas que foram sacrificadas ganharem o que foi retirado”.

Denunciando que PSD quer continuar austeridade e que o PS diz querer acabar com os cortes mas só “daqui dois anos” e isto “em campanha eleitoral”, Nelson Peralta apontou que o Tratado orçamental, apoiado tanto por PSD como por PS, impõe “mais 13.000 milhões de cortes orçamentais” e defendeu a necessidade de uma “alternativa que defenda o trabalho e os serviços públicos” e que essa alternativa é o Bloco de Esquerda.

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