Governo “vende o país ao desbarato” e segue para “o beija-mão a Miguel Relvas”

04 de July 2015 - 0:25

"É importante que nos levantemos a dizer que Portugal não está à venda”, defendeu Catarina Martins após a primeira auditoria do Tribunal de Contas às privatizações do Governo ter arrasado o processo de venda da EDP e da REN.

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Foto Paulo Novais/Lusa

O relatório do Tribunal de Contas à privatização da EDP e da REN “veio dizer-nos que a energia foi vendida ao desbarato, sem garantias para o interesse público, com o BESI a trabalhar no Estado para avaliar e depois a assessorar os contratos financeiros dos privados, sem que tenha sido acautelado o mais básico do interesse público e sem que se tenha garantido a mínima transparência”, afirmou a porta-voz do Bloco de Esquerda esta sexta-feira em Torres Vedras.

“Quando vemos Passos Coelho com José Maria Ricciardi [o banqueiro do BESI] no beija-mão a Miguel Relvas, sabemos que está mesmo na altura de mandar este governo embora”, rematou Catarina Martins, referindo-se ao lançamento do livro do antigo braço-direito de Passos Coelho no PSD, esta quinta-feira.

"Um primeiro-ministro que tem uma tal deferência para Miguel Relvas e tem em Dias Loureiro o seu exemplo como empresário, como já afirmou publicamente, é um primeiro-ministro de um Governo que faz tudo menos defender o interesse o público”, prosseguiu Catarina Martins, para quem as privatizações que este governo fez têm muita coisa em comum: “desvalorização das empresas, privados que trabalham ao mesmo tempo para o Estado e para o comprador, falta de transparência nos contratos”.

“No momento em que o governo quer vender a TAP, exatamente da mesma forma; em que o Oceanário também é entregue a privados; em que os transportes coletivos de Lisboa e do Porto estão também a ser concessionados a privados, este é o momento para o país exigir explicações muito claras a um governo que tem feito tudo para desbaratar os recursos do país”, defendeu a porta-voz do Bloco.

“Neste momento é importante que nos levantemos a dizer que Portugal não está à venda”, sublinhou.

Taxas moderadoras das IVG’s revelam “cobardia política da direita”

A proposta discutida esta sexta-feira no parlamento e retirada da votação para cobrar taxas moderadoras às mulheres que recorrem ao aborto nos hospitais públicos é lida por Catarina Martins como uma prova de “cobardia política da direita”, que só demonstra “o aproveitamento político que [PSD e CDS] querem fazer antes das eleições para conquistar votos à direita mais retrógrada”.