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‘Virtual Insanity’

Os noticiários culpam a Grécia pela não assinatura do acordo. Mas porque não dizem que foi o FMI que não aceitou as propostas da Grécia?

Desde a crise financeira (2008) que os Governos de Partidos Socialistas e da Direita implementaram programas de austeridade justificando as medidas como sendo as únicas capazes de repor as contas do Estado na ordem: alguém tinha gasto a mais e esse alguém éramos todos nós. Cortaram-se salários e pensões, privatizaram-se serviços públicos e empresas estratégicas do Estado, atacou-se o contrato coletivo de trabalho e precarizou-se o mundo laboral, foi despedida do país a geração melhor preparada que Portugal conheceu até hoje.

Estas medidas de austeridade afundaram as contas do Estado, aumentaram a dívida e transferiram milhares de milhões de euros para a banca privada, responsável pela crise.

Grécia continua a liderar a taxa de desemprego jovem, com taxas muito próximas dos 50%, enquanto a de Portugal ronda os 33,3% de jovens no desemprego. Ou seja, numa fácil comparação, na Grécia, em cada 2 jovens, um está no desemprego (ou se viu obrigado a emigrar) e em Portugal 1 em cada 3 jovens não conhece a realidade de um salário ao fim do mês.

Os noticiários culpam a Grécia pela não assinatura do acordo. Mas porque não dizem que foi o FMI que não aceitou as propostas da Grécia?

Dizem agora os comentadores da Direita que é um sinal de fraqueza o referendo que o Governo grego fará na Grécia sobre a assinatura do acordo. É exatamente o contrário: é o sinal da maior força e capacidade democrática de governar e dar a palavra a um povo. Não é o Syriza que tem os dias contados, são as opiniões de Marques Mendes, Marcelo Rebelo de Sousa, José Gomes Ferreira, Medina Carreira, Francisco Assis, que terão os seus dias contados quando os povos da Europa perderem o medo do FMI e de quem hoje manda na Europa.

Corajoso Alexis Tsipras, corajoso Syriza que é hoje o governo com mais apoio popular no mundo.

O medo trocou de lado. Agora que o governo grego lançou o referendo às medidas de austeridade com possibilidade de vencer o Não, os fundamentalistas neoliberais começam a ver o seu projeto desmoronar-se aos pés daqueles que sempre deviam ter decidido – os povos.

Os atores da alta finança jogaram a perderam na roleta russa. O jogo do capitalismo financeiro – insanidade virtual – mergulhou a Europa do Estado Social na Desunião Europeia dos Interesses Financeiros.

Como na Grécia, em Portugal o debate hoje já é outro. A direita já não consegue mais fugir ao debate da dívida e das medidas de austeridade como única solução. Vamos a esse combate pelas ideias, há aqui gente que quer viver em Portugal.

Sobre o/a autor(a)

Museólogo. Deputado e membro da Comissão Política do Bloco de Esquerda.
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