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Grécia é a "prova de fogo" do projeto europeu

Numa sessão que encheu o Fórum Lisboa, Marisa Matias defendeu esta quinta-feira que “o radicalismo e o extremismo” estão nas instituições da troika. A iniciativa contou ainda com intervenções de Francisco Louçã, Eugénio Rosa, Hélia Correia, José Pacheco Pereira, José Reis, Manuel Alegre e Diogo Freitas do Amaral. Veja aqui o vídeo das intervenções. Notícia atualizada às 17h51.
Foto de Paulete Matos.

“Estamos, literalmente, a viver e a construir a história”, referiu a eurodeputada bloquista Marisa Matias, defendendo que “se uma União Europeia, no seu funcionamento normal, não comporta um governo de esquerda, já não é um projeto democrático, é um projeto que deixa de interessar".

 "O governo do Syriza tem de ter condições para governar como qualquer outro governo. Em democracia os partidos vão a eleições e todos podem ganhar. Se não, não é uma democracia", reforçou.

 Segundo Marisa Matias, o regime em vigor na Europa “tem, de facto, um nome: é uma Europa do partido único, é uma Europa que é a antítese da Europa plural, da Europa democrática”.

 "Aconteça o que acontecer, este momento é o momento da prova de fogo: ou a União Europeia (UE) tem condições para continuar como projeto democrático, ou não tem", defendeu a dirigente do Bloco de Esquerda, frisando que "os problemas estruturais da Grécia são também de Portugal e, no final de contas, de todo o projeto europeu".

 Sobre as acusações de que tem sido alvo o governo grego, a eurodeputada afirmou que “o radicalismo e extremismo estão no Banco Central Europeu (BCE), Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia, no Eurogrupo, e em todos e todas aqueles e aquelas que acham que na Europa não pode haver alternativa”. “Isso sim é radical, isso sim é extremista", vincou.

 Referindo-se ao referendo que terá lugar no próximo domingo, Marisa Matias advogou que “em democracia é a voz do povo que deve determinar o rumo do país”, lamentando que a “Europa dos que mandam esteja toda em Atenas para garantir que ninguém ponha em causa a Europa do partido único”.

 Francisco Louçã: "Europa ficou gelada com o referendo grego"

 "Nunca até hoje, nunca na história da União Europeia ou da zona euro, tinha havido um ultimato como este", referiu Francisco Louçã.

 O economista lamentou o contraste entre o "gigantismo da ameaça" que paira sobre o projeto europeu e a "pequenez dos números" que, segundo avançam os media, separam as propostas dos credores e de Atenas: "Afinal a diferença são 600 milhões de euros. É um quinto do BPN, um quinto do Novo Banco, vinte 'Gaitáns'", destacou.

 Segundo Francisco Louçã, a Europa "colocou-se em estado de golpe de Estado permanente", e apresenta propostas a Atenas que "não são medidas corretivas da economia".

 "São ideias civilizatórias, civilizadoras, uma nova ordem onde não pode haver contratos, não deve haver sindicatos, certamente não há bens comuns, certamente não há responsabilidade de todos sobre todos", defendeu.

 “No tempo da crise grega finaram-se as meias palavras: paz à sua alma. Ou a esquerda se redefine contra a submissão ou será submissa. Não existe esquerda na resignação europeia”, rematou.

 José Reis: “Projeto europeu foi usurpado por políticos autoritários”

 Através de uma mensagem vídeo, José Reis denunciou que o “projeto europeu foi usurpado por políticos autoritários” que deixaram “uma Europa desfeita por instituições sem cultura nem projeto”.

“Resta-nos declarar-nos dissidentes desta Europa punitiva”, defendeu o diretor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

 Eugénio Rosa: “É melhor ser livre um dia que andar de cócoras e submisso toda a vida”

Eugénio Rosa afirmou que as exigências dos credores são “uma ofensa à dignidade”, questionando “como é possível uma interferência tão grande com os eurocratas a definirem o imposto da eletricidade que os gregos têm de pagar”.

 O economista e dirigente comunista deixou ainda críticas ao governo português por espalhar a “mentira” de que Portugal está a salvo de qualquer contágio, lembrando que a saída da Grécia poderá ter “um efeito dramático na banca” e que “quem paga em ultima instância são os contribuintes”.

“É melhor ser livre um dia que andar de cócoras e submisso toda a vida”, adiantou Eugénio Rosa, numa alusão ao referendo do próximo domingo.

 Hélia Correia: “a dignidade de um povo”

“Como amiga da Grécia apetecia-me fazer como Lord Byron e partir para a Grécia para combater ao lado dos gregos pela sua libertação. Mas hoje é difícil fazer o mesmo porque não sabemos contra quem dar os tiros”, lamentou Hélia Correia.

“Quando ouço falar os do Syriza a dizer que o povo é que manda ali, alguma coisa começa ali a ligar-nos ao passado: é a dignidade de um povo”, concluiu a escritora.

 Freitas do Amaral: “A UE passou a ser ‘uma ditadura sobre democracias’”

 Não podendo estar presente na sessão, Freitas do Amaral deixou uma nota, lida durante a iniciativa, na qual salienta que, tendo o Syriza ganho as eleições, “foi um grave erro da Europa, e de Portugal, não ter respeitado, minimamente, a vontade do povo grego”.

 “A inflexibilidade negocial de Bruxelas, e os sucessivos “diktats” de Berlim, mostram que a UE passou a ser ‘uma ditadura sobre democracias’! Há que combater isso, enquanto é tempo”, advogou, sublinhando que “a hora é de coragem e lucidez; não é para cobardias e cegueiras ideológicas!”

 Manuel Alegre: “Está em causa a liberdade de todos os povos europeus”

 Segundo Manuel Alegre, “o problema já não é só a austeridade”, está em causa “a liberdade, não só a liberdade da Grécia, mas a nossa liberdade, a liberdade de todos os povos europeus”.

 Alegre classificou como “uma vergonha” a posição do governo português e de Cavaco Silva sobre o que se está a passar na Grécia, defendendo que estes “substituem a razão de Estado pelo seguidismo perante os que mandam na Europa”.

Os socialistas europeus também foram alvo de críticas: “A crise da Europa é a crise da Internacional Socialista e dos que se dizem socialistas e estão a permitir esta vergonha que está a ser feita”.

 “O medo está a progredir mas a história não acaba aqui. A Grécia já nos deu uma lição de dignidade. E só por isso a Grécia não será vencida”, rematou.

 Pacheco Pereira: "Tecnocratas pedantes que detestam a democracia"

 O historiador e antigo dirigente do PSD Pacheco Pereira criticou os "tecnocratas pedantes que detestam a democracia", elogiando a tenacidade do povo grego pela forma como tem lidado com a atual crise.

 Os gregos preferem "dignidade e patriotismo" a "andar de cabeça baixa, a abanar a alma aos poderosos", avançou.

A crise europeia à luz da Grécia | Intervenção de Helena Roseta

A crise europeia à luz da Grécia | Intervenção de José Reis

A crise europeia à luz da Grécia | Intervenção de Eugénio Rosa

A crise europeia à luz da Grécia | Intervenção de Francisco Louçã

A crise europeia à luz da Grécia | Comunicação enviada de Diogo Freitas do Amaral

A crise europeia à luz da Grécia | Intervenção de Manuel Alegre

A crise europeia à luz da Grécia | Intervenção de José Pacheco Pereira

A crise europeia à luz da Grécia | Intervenção de Hélia Correia

A crise europeia à luz da Grécia | Intervenção de Marisa Matias

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