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Lesados do BES protestam junto ao Conselho de Ministros

Depois de terem protestado junto a sede do Novo Banco, em Lisboa, cerca de duas centenas de lesados do papel comercial do GES concentraram o protesto junto à presidência do Conselho de Ministros. A venda do Novo Banco poderá render apenas metade do dinheiro injetado no banco.
Protesto dos lesados do BES junto à presidência do Conselho de Ministros - Foto de Steven Governo/Lusa

"Estamos a protestar, mais uma vez, para denunciar a venda vergonhosa de papel comercial que foi feita à maioria dos clientes do BES [Banco Espírito Santo]", declarou à agência Lusa o presidente da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC), Ricardo Ângelo.

O presidente da Aiepec afirmou ainda: "Não vamos parar com a nossa luta até vermos o nosso problema resolvido. Pensamos que com o novo comprador do banco esta situação poderá ser solucionada, pois, não é bom para a instituição que este problema se mantenha”.

O ministro da Presidência, Luís Marques Guedes, foi questionado pelos jornalistas na conferência de imprensa realizada depois da reunião semanal do conselho de ministros, sobre os lesados do BES.

“Reafirmo que é uma matéria que tem que ver com as questões em torno do BES e das transferências de ativos. São decisões tomadas e da responsabilidade dos reguladores - do supervisor financeiro e dos reguladores no seu conjunto", disse o ministro.

"[As matérias] não são decisão do Governo nem esperem qualquer decisão da parte do Governo", disse Marques Guedes para concluir que "não cabe ao Governo decidir aquilo que não são competências próprias".

Venda do Novo Banco pode recuperar apenas metade do dinheiro

Na passada terça-feira, o Banco de Portugal (BdP) recebeu três propostas vinculativas para a aquisição do Novo Banco, indicando que vai avaliar as propostas "nas próximas semanas".

Os candidatos à aquisição do Novo Banco são a Fosun e a Anbang (ambas chinesas) e ainda a americana Apollo. Segundo o “Financial Times”, os favoritos são as empresas chinesas.

As três candidaturas à aquisição do Novo Banco superam os 3.000 milhões de euros e contemplam reforços de capital.

Porém, segundo o “Dinheiro Vivo”, a venda pode apenas cobrir 50% do montante injetado no banco.

O “Jornal de Notícias”/”Dinheiro Vivo” cita uma fonte próxima do processo que afirma: "Uma coisa é o head price [valor oferecido à cabeça] outra é o closing price [preço de fecho da operação], depois de deduzidos e feitos todos os ajustes, nomeadamente de reforço de capital, que até por causa da crise poderá ser necessariamente maior". As exigências dos supervisores poderão também penalizar o valor patrimonial.

O jornal salienta que, caso se confirmem estes valores, o encaixe conseguido com a venda do Novo Banco dificilmente superará os 2.500 milhões de euros, o que significa cerca de metade dos 4.900 milhões de euros injetados no banco.

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