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A luta grega é a luta da esquerda europeia, contra o terror teremos de dizer não

Um canal privado de televisão fazia uma reportagem nas ruas de Atenas, depois da uma da manhã, a anunciar grandes filas de pessoas a sacar dinheiro de máquinas multibanco e motins de anarquistas em Exarchia. Eu passeava-me nas ruas a essa hora e o ambiente descontraído e calmo reinava, em Exarchia...

Depois do anúncio por Tsipras de um referendo sobre a aceitação ou não do memorando que está a ser imposto pela troika - fazendo tábua rasa de qualquer negociação, atentando contra a democracia do povo grego e contra a vida, exigindo continuar a aprofundar, mais ainda, a austeridade, a desregulação do mercado laboral, o empobrecimento - um canal privado de televisão fazia uma reportagem nas ruas de Atenas, depois da uma da manhã, a anunciar grandes filas de pessoas a sacar dinheiro de máquinas multibanco e motins de anarquistas em Exarchia. Na verdade, eu passeava-me nas ruas a essa hora e o ambiente descontraído e calmo reinava, em Exarchia, muitos jovens reunidos conversavam, ouviam musica, tranquilamente. Hoje, poder-se-ia esperar por filas nos supermercados, ou novamente filas na máquinas dos bancos, mas longe disso. No entanto, esta reportagem é indicativa da estratégia que vai ser usada pela burguesia grega e europeia: a estratégia do terror.

Na verdade consegue-se ver muito claramente que até aqui não houve nenhuma negociação, as instituições que compõem a troika, o que têm estado a procurar é o desgaste do governo grego, o seu objetivo é apenas um, derrubar o Syriza. O seu autoritarismo e tirania são evidentes. A democracia está morta na Europa e não é de agora. Ao mesmo tempo que desgastavam o governo pressionando-o constantemente a recuar e procurando assim abrir brechas internas, também têm vindo a manobrar as forças como o Potami, Pasok e Nova Democracia para que estes se aliem e ganhem força. Estes último organizaram duas manifestações dizendo "Nós ficamos no Euro", com não mais que 4 mil pessoas, convocadas por sms por estes partidos, mas também por grandes empresas e bancos, no entanto, tiveram enorme projeção nos media nacionais (e provavelmente internacionais). Estas manifestações foram inclusivamente trabalhadas, do ponto de vista da imagem em photoshop, para parecerem maiores.

Dentro da estratégia do terror, muitos golpes baixos serão colocados, desde já a recusa do eurogrupo em prolongar mais uns dias o programa financeiro, ou o encerramento dos bancos, procurando aprofundar ainda mais a crise política. A questão será colocada como sim ou não à Europa, sim ou não a sair da união europeia e do euro. Mas nós, esquerda, teremos de colocar a questão às pessoas de outra forma: sim ou não à democracia, sim ou não à continuação da austeridade, sim ou não ao desemprego, sim ou não à destruição dos direitos laborais, à destruição económica e social dos nossos países e do nosso povo. É nestes termos que devemos procurar colocar o debate, combatendo todas tentativas de instalar o pânico e o terror.

Nós, povos europeus, assim como a gente da esquerda, dos movimentos sociais, das organizações ou dos partidos, temos de nos superar neste momento histórico e, durante esta semana, lutar com toda a nossa energia para dar um sinal claro e forte ao povo grego que não estão sós nesta luta, temos que pedir aos intelectuais para se pronunciarem pelo Não, temos que promover as ações que formos capazes, recolher assinaturas, e igualmente, prometer toda a nossa solidariedade perante o que quer que venha a acontecer no futuro.

É fundamental dizer que a escolha do referendo e a escolha pelo NÃO, são as escolhas pela democracia e pela esperança na Europa!

Os gregos continuam de pé e neste momento dizem: quem já está molhado, não tem medo da chuva...

Sobre o/a autor(a)

Técnica de desenvolvimento comunitário. Aderente do Bloco de Esquerda.
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