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Bloco quer combate a remunerações abusivas

Na sessão de encerramento da III Conferência Nacional do Bloco, Catarina Martins destacou algumas das propostas bloquistas para as próximas eleições legislativas. Lembrando que a coligação PSD/CDS ainda não apresentou o seu programa eleitoral, a porta-voz sublinhou que “não é preciso porque já o conhecemos - é o programa da troika”.
Foto de Paulete Matos.

Catarina Martins recordou que, segundo a Comissão Europeia, Portugal é o país da UE com maior desigualdade de rendimentos e que os salários de topo nas empresas são, em média, 32 vezes superiores aos salários médios, sendo que a desigualdade salarial é consideravelmente inferior em países como a Espanha (15 vezes), o Reino Unido (14 vezes) e a Alemanha (10 vezes).

“Não querem copiar a Alemanha em tudo”, ironizou a porta voz do Bloco de Esquerda.

A dirigente bloquista refutou o argumento de que os salários milionários servem para premiar os melhores gestores, referindo que os países onde a desigualdade salarial é menor não são vítimas de fuga de quadros. Catarina Martins deu ainda o exemplo do ex-presidente da PT, Zeinal Bava, que levou a “empresa ao charco e foi premiado como gestor exemplar”.

Para combater as remunerações globais abusivas de administradores e gestores, entre outros, o Bloco propõe a introdução de limitações à desigualdade de retribuição nas empresas.

A porta-voz do Bloco destacou ainda outras propostas que integram o projeto de Programa Eleitoral, como retomar a exclusividade dos profissionais no Serviço Nacional de Saúde, por forma a “responder à necessidade imperiosa de ter mais médicos e médicas” nos serviços públicos.

Na área da Educação, os bloquistas propõem garantir o acesso de todas as crianças à creche pública sem que as suas famílias tenham de pagar mensalidades que, muitas vezes, ultrapassam as propinas do ensino superior. Acabar com “a chantagem e o stress” a que estão sujeitas as crianças em Portugal, eliminando os exames no ensino básico, é outra das prioridades do Bloco de Esquerda, que assume também o seu compromisso contra o ensino dual, que “promove a desigualdade salarial” e significa, na realidade, “voltar ao trabalho infantil”.

“Não aceitamos voltar atrás nos direitos mais básicos pelos quais lutámos e que conquistámos”, vincou Catarina Martins.

A porta voz bloquista defendeu ainda que é preciso responder ao “mito urbano de criação de emprego deste Governo”, sublinhando que os programas de estágios promovidos pela maioria de direita são verdadeiras “máquinas de exploração laboral”.

O Bloco pretende que, no final de cada programa de estágios comparticipados, só possam voltar a concorrer a novo programa as empresas que tenham integrado nos seus quadros pelo menos metade dos estagiários recebidos no programa anterior.

Lembrando que a coligação PSD/CDS-PP ainda não apresentou o seu programa eleitoral, Catarina Martins destacou que não é preciso, porque “já o conhecemos”. É “um programa velho” que já tem quatro anos – é “o programa da austeridade, o programa da troika”, avançou o dirigente bloquista.

Às políticas da maioria de direita, que passam pelo corte nos salários e pensões, por retirar capacidade ao país e criar todo o tipo de negociatas para favorecer privados, os bloquistas contrapõem com a reposição de direitos, a recuperação do emprego e do salário e o resgate da democracia.

“É este o compromisso do Bloco”, rematou Catarina Martins.

Bloco de Esquerda | III Conferência Nacional | Catarina Martins

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