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MEE: Dívida grega é sustentável, a portuguesa é “um desafio”

O relatório do Mecanismo Europeu de Estabilidade afirma que a sustentabilidade da dívida de Portugal “continua a ser um desafio”, face ao valor elevado e ao fraco crescimento. Ao mesmo tempo, diz que a da Grécia, sendo alta, é sustentável devido aos longos prazos de reembolso. Tudo isto, claro está, se os dois aceitassem mais cortes na despesa pública.
Foto Images Money/Flickr

"Portugal necessitará de continuar comprometido com as metas orçamentais acordadas e prosseguir a implementação das reformas estruturais definidas no quadro europeu, para reduzir significativamente a sua elevada dívida”, afirma o relatório do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), citado pela agência Lusa.

No caso português, o relatório divulgado esta quinta-feira diz que “apesar dos desenvolvimentos positivos a nível económico e dos mercados financeiros em 2014 e o final do programa de ajustamento, a sustentabilidade da dívida governamental continua a ser um desafio, face ao seu valor elevado e às perspetivas de crescimento ainda modesto de Portugal”.

O relatório termina com a habitual recomendação dos credores, ao concluir que "são necessárias mais reformas estruturais e consolidação orçamental para reduzir o elevado nível de dívida pública" que foi de 130.2% do PIB no final de 2014. Ou seja, mais cortes na despesa pública nos próximos anos para cumprir as metas do Tratado Orçamental.

Curiosamente, no caso grego a avaliação do MEE é mais taxativa quanto à avaliação da sustentabilidade da dívida, que atingiu no mesmo período os 175% do PIB daquele país. “Uma análise cuidada da sustentabilidade da dívida grega deve ter em conta a sua estrutura. As obrigações de reembolso até 2023 são mínimas. A partir daí, os reembolsos são esticados por várias décadas, o que, em conjunto com taxas mais favoráveis, resulta numa dívida que é alta no seu todo, mas sustentável”, conclui o mesmo relatório.

Para sustentar o seu argumento contra a restruturação da dívida grega, o organismo criado para vigiar e prevenir crises monetárias na zona euro diz que já houve um corte na dívida equivalente a metade do PIB de 2013, esquecendo que o corte atingiu sobretudo os fundos de pensões e outras instituições gregas, poupando os maiores credores privados, em especial os bancos alemães e franceses, que transferiram a tempo as suas obrigações para os credores oficiais.

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