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FMI quer mais sacrifícios para garantir juros usurários

Alertas inquietantes do FMI para mais cortes na despesa pública funcionam como recados pós eleições legislativas, tanto para PSD/CDS como para PS, que por agora se obrigam a declarações nada convincentes, de não partilharem tal caminho de mais austeridade. Artigo de José Lopes (Ovar)
Alertas inquietantes do FMI para mais cortes na despesa pública funcionam como recados pós eleições legislativas, tanto para PSD/CDS como para PS – Foto de Paulete Matos

Mais uma vez o governo português quis demonstrar aos credores, no caso, ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que apesar de todo o empobrecimento social e económico das famílias causado pelo duro caminho da austeridade, ainda é possível satisfazer com “gratidão” os elevados custos na dívida, que resultam dos especulativos juros impostos pelas instituições financeiras. Vai daí, a ministra das Finanças, Maria Luísa Albuquerque para quem o estado do país parece ser virtual, anuncia como prioridade, não aliviar o peso da austeridade sob a vida das pessoas, mas sim, oferecer ao FMI o doloroso sacrifício que vem sendo exigido aos portugueses nestes últimos anos. Propondo-se assim, antecipar o pagamento de dois mil milhões de euros com o argumento de poupar nos juros. Os tais juros usurários dos quais o FMI vai beneficiar antecipadamente, como resultado do retrato atual deste país, que é um dos mais pobres e desiguais da OCDE, que troca a dignidade de um povo, pela ideologia do assistencialismo e dos pobres mas honrados.

Neste país europeu em que mais aumentou o risco de pobreza e exclusão social em 2014, cada vez mais dependente das instituições de solidariedade social, o governo PSD/CDS prefere ser solidário com o capital financeiro, deixando as vítimas das suas políticas de austeridade à mercê da solidariedade do já de si espoliado povo português. Mas a estes sacrifícios impostos a um Povo, para pagar juros antecipadamente, cinicamente, o FMI, que considera este esforço demasiado modesto, vem ainda dizer que há “um risco tangível” de Portugal não cumprir a meta do défice este ano, “sem cortes adicionais da despesa” adiantando, que é até, “pouco provável” reverter a austeridade, como vem sendo prometido, sem conter a despesa com salários e pensões. Alertas inquietantes do FMI, para “mais esforços” ou mais cortes na despesa pública, que funcionam como recados pós eleições legislativas, tanto para o PSD/CDS como para o PS, que por agora, naturalmente, se obrigam a declarações nada convincentes, de não partilharem tal caminho de mais austeridade.

Artigo de José Lopes (Ovar)

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