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“Governo trata pensionistas como o seu porquinho mealheiro”

Questionado pela porta-voz bloquista sobe os estudos que fundamentam a vontade do PSD e do CDS de cortar nas pensões, Passos Coelho respondeu que “não vale a pena perder tempo com mais estudos”. Inesperadamente, a meio do debate sobre pensões, Passos saudou a evolução da taxa de suicídios em Portugal.
Catarina Martins no debate quinzenal com Passos Coelho

O anunciado corte nas pensões de reforma foi o tema forte das pergutas de Catarina Martins no debate quinzenal com Pedro Passos Coelho. “Não foi a oposição que pôs os cortes das pensões no centro do debate político, foi a ministra das Finanças”, recordou a porta-voz do Bloco, acusando o governo de “agitar muito o medo” da sustentabilidade da Segurança Social, embora nunca se refira ao fundamento dessa proposta.

“A Segurança Social teve sempre saldos positivos, mas agora o governo diz que há um perigo muito grande”, recordou Catarina Martins, insistindo sempre na pergunta: “Onde estão os estudos de sustentabilidade da Segurança Social que sustentem as propostas de cortes?”

Apesar da troca de palavras ter durado mais de 17 minutos, Passos Coelho nunca soube responder com dados que fundamentem a sua intenção de cortar novamente no rendimento dos pensionistas. O primeiro-ministro acusou o PS de ter introduzido cortes nas pensões no original memorando da troika, que o governo trocou pelo fim dos 13º e 14º mês e reintroduziu após do chumbo da medida pelo Tribunal Constitucional.

Depois de várias insistências, Passos Coelho afirmou que “não vale a pena perder tempo com mais estudos” sobre a sustentabilidade da Segurança Social, o que lhe valeu a acusação de estar “a pôr em causa um sistema intergeracional”. “Vamos cortar pensões porque sim, porque os pensionistas são o nosso porquinho mealheiro”, reagiu Catarina Martins ante a falta de resposta do primeiro-ministro.

O debate sobre os cortes aos pensionistas ficou também marcado pela referência inesperada do primeiro-ministro à evolução da taxa de suicídios em Portugal. “Lembro-me daquela máxima que nos foi atirada da taxa de suícidios que tinha aumentado por causa do memorando e da crise. A taxa de suicídios agora baixou, o que é que aconteceu à crise, senhora deputada?”, perguntou Passos Coelho. Na resposta, Catarina Martins acusou-o de “estar a fugir à pergunta de forma desesperada, até de suicídios já fala, coisa que nunca o vi fazer neste plenário, nem seria de bom tom” no contexto do debate sobre pensões.

"Privatização dos transportes coletivos de Lisboa e Porto é uma gigantesca PPP"

Na parte final da sua intervenção, Catarina Martins referiu-se ao processo de privatização em contrarrelógio dos transportes coletivos de Lisboa e Porto. A prova disso, apresentou a porta-voz do Bloco, é que “a empresa Transportes de Lisboa, que se prepara para transferir 130 milhões de euros para os operadores privados, não tem um único ato constitutivo”.

Para Catarina, a concessão a privados é uma “PPP gigantesca: ande gente no autocarro ou não, ade gente no metropolitano ou não, recebem sempre. É rendimento máximo garantido para os privados”, explicou a porta-voz bloquista. Mais uma vez, Passos Coelho preferiu não responder a estas críticas.

Catarina vs. Passos: "Governo não tem estudos que sustentem mais cortes nas pensões”

Catarina vs. Passos: “Governo trata pensionistas como o seu porquinho mealheiro”

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