Emigrantes lesados pelo BES manifestam-se em Paris

30 de May 2015 - 12:48

Centenas de pessoas juntaram-se este sábado em frente a um palacete do antigo BES na capital francesa. E prometem vir em agosto manifestar-se em Lisboa.

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Emigrantes lesados pelo BES manifestaram-se este sábado em Paris. Foto Nuno Moniz.

A organizadora da concentração vive em Paris desde 1976 e já foi ama dos sobrinhos de Ricardo Salgado. “Estamos aqui a manifestar-nos para recuperar as nossas economias, muitos anos de sacrifício. Também tenho servido de psicóloga porque as pessoas muito desesperadas telefonam-me a perguntar se tenho mais alguma novidade para dar. Infelizmente não tenho. A resposta dos bancos é sempre a mesma. Eles continuam a mentir, a dizer que o problema a vai ser resolvido, mas nunca nos dizem quando", afirmou Amélia Reis, que promete um protesto dos emigrantes em frente à sede do banco na Avenida da Liberdade para o dia 10 de agosto, se não conseguirem ser ouvidos pelos responsáveis até lá.

As histórias contadas pelos manifestantes têm muito em comum: boa parte ou a totalidade das poupanças amealhadas durante décadas de trabalho em França evaporaram-se de um dia para o outro. “Viemos ganhar o nosso dinheiro para fugir à fome, para fugir ao salazarismo, fizemos economias para voltar ao país e aqueles ladrões roubaram as nossas economias”, diz José Roque Esteves, de 75 anos, natural de Arcos de Valdevez.

"Saí de lá descalça, a comer broa seca e terei que entrar em Portugal novamente assim porque me roubaram tudo. É triste ser português. Muito triste. São todos uns ladrões e querem que morremos à fome como quando de lá saímos”, lamenta Maria Adelina, que saiu de Leiria aos sete anos.

O Bloco de Esquerda/França também participoi no protesto. "Nós não podemos admitir que os emigrantes portugueses de França, como os do Luxemburgo, da Suíça, como os portugueses que foram enganados pelo BES, se acomodem à situação. Os emigrantes portugueses confiaram ao BES o produto das suas economias de uma vida de trabalho", afirmou a dirigente bloquista Cristina Semblano.